Ele era lindo demais. Não era pra mim. Mas não deixava de ser maravilhosamente lindo. Ele sorria. Eu sorria de volta. Eu olhava e ele não me notava. Eu passava ao lado dele. Deixava meu cheiro. Ele virava disfarçadamente, conversava com o amigo algo que eu não entendia. Eu caminhava calma, escondendo o suor das mãos e a ansiedade de menina mimada. Ele não era pra mim. Ele era o que eu mais queria ali. Eu voltava pras minhas amigas segurando um copo com alguma coisa dentro. Ele esbarrou em mim. Maravilhosamente lindo. Eu limpei o líquido derramado no meu vestido. Ele me pediu desculpas. A minha mão tremia. Eu segurei o copo com força, pra que não virasse novamente sobre mim. Ele segurou a outra mão. A mão suada. Eu gelei, fiquei vermelha, fiquei insegura. Me senti A garota. Ele me olhou. Finalmente ele me olhou. Eu disfarcei o olhar e esqueci da boca. Ele me beijou. Eu deixei o copo escorregar sobre o balcão. Ele percebeu que me tinha. Eu sabia que ele me tinha. Esse foi o erro, o pior erro. Nossa falta de comunicação. Ele foi embora, ainda sorrindo, como um garoto satisfeito. Eu fiquei ali, com o copo na mão. Eu o perdi. Quem sabe se eu tivesse sido um pouco mais difícil ele teria pedido meu telefone celular.
Escrito em 28.08.2008
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