Mais uma vez, caí na sutil ingenuidade de não acreditar na verossimilhança das suas palavras e na sinceridade do seu sorriso. Mais uma vez, percebi que nada conheço, tudo admiro e pouco espero, já que o pouco que esperava do seu abraço, hoje, é tudo que quero de mim mesma. Rosas Vermelhas. A surpresa imediata e irreversível de um amor mal acabado e infinitamente novo realçou a rosa estampada no meu corpo e despertou em você a vontade de beijá-la. Rosas Vermelhas. A angústia da espera e o medo do descontentamento feriram meus pensamentos por alguns longos minutos, até que encontrasse novamente a verdade do amor e a irreverência da paixão. Rosas Vermelhas. Esperei muito para que você provasse para si mesmo que precisa de mim pra seguir em frente ou que precisa da minha voz para dormir bem. Demorou pouco após nosso último encontro para que entendesse, definitivamente, que é preciso conquistar uma mulher e realizar todos os fetiches e sonhos antes não realizados, já que a graça do nosso beijo e do nosso laço está justamente na sua estranha capacidade de me conduzir como numa dança e fazer com que cada coreografia seja distinta, única e inesquecível. Talvez você ainda não perceba o quanto eu espero de você. Rosas Vermelhas. A sensação de correspondência e reciprocidade tornou minha vida um pouco mais tranquila e mil vezes mais agitada, já que meu coração bate mil vezes mais rápido a cada ligação sua. Rosas Vermelhas. Procurei desesperadamente por um cartão perdido no meio da beleza singela do buquê, do único buquê pelo qual me encantei. Minhas mãos se perderam diante da dimensão do carinho e da audácia das rosas, rosas vermelhas. Segurei o cartão com força antes de abri-lo , torcendo pra que as rosas tivessem sido mandadas pelo último romântico e primeiro amor da minha vida. Tremi. Gelei. Me contorci. Gritei. Rosas Vermelhas. Eram suas, agora minhas. E ,naquele instante, mesmo distante do meu sorriso bobo, você sentiu, como o vento arrepiando a espinha, que sempre fui inteiramente sua. Rosas Vermelhas. E a minha rosa, nua.
Escrito em 09.10.2009
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