Clichê

Decorei um dicionário pra que assim pudesse convencê-los de minha capacidade e do meu conhecimento. Creio que esteja forjada a um destino de mil e um grilhões, diante da perplexidade em que nos encontramos e do ceticismo dos meus leitores.Estou, a esmo, numa busca vazia por palavras novas que sejam capazes de seduzir e que, de forma enigmática e subliminar, as minhas idéias de mundo entrem e persuadam suas mentes.Não suporto textos rebuscados e superiores,a leitura deve ser clara, objetiva e acessível. Posso até ser intrépida ou quem sabe fútil. Mas, amor por amor é palavra do povo. Sexo por sexo é palavra do povo. Poucos são os que conhecem, a fundo, a semântica das palavras. Então que façamos palavra por palavra. Do povo, pelo povo e para o povo.Ideologias à parte eu também sou o povo. E que a rima pouco importe, se o subentendido valha. E que a ordem seja intensa-tensa. E que o pão seja bão-tão. E quando a boca cala,fala. E quando o dia retoma-toma. E se a boca chama,ama. E se o cão late, mate. Se a criança chora, ora. E quando a mão trai, atrai. Já que o poeta, quando escreve, é leve e, quando ama, reclama e sofre. E o poeta ,quando fala, cala, já que da escrita não mais se espera, nem se admira. Apenas mima, a rima.

Escrito em 03.09.2009

Nenhum comentário:

Postar um comentário