Na dúvida

Do que sou
Do que não sou
Do que faço
Do que não posso fazer
Do que amo
Do que me engana
Do que não quero ter
Do medo que não domina
Da voz que não ensurdece
Da paixão que não alucina
Da sanidade de quem esquece
Do tesouro que já perdi
Da vantagem de merecer
Da razão de estar aqui
Do risco de envelhecer

Eu continuo (a prosseguir),
no pleonasmo do (sobre)viver,
validando a constância ao sorrir
e a mutação que me vale ser.

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