Ontem, hoje. Amanhã, talvez.

Fomos para o térreo. Ficamos cerca de 14 segundos dentro do elevador. Estatizados. Minha mão suava frio e o olhar dele desviava-se do meu. Já que ele não o fazia, toquei sua mão. Nos beijamos. No elevador. Certas vezes lembro-me de como era cética a tudo aquilo que se referia ao amor. Sempre acreditei que amor fosse sinônimo de convivência. Tempo. Elevador. Desde os meus onze anos de idade aprendi a olhá-lo nos olhos. Aprendi a tocá-lo com a mente. Fiz com que ele sentisse meu coração quase saindo pela boca à medida que me beijava. Me deixando louca. Claro que quanto mais os dias se passavam, maior era a saudade, maior era a doença, maior era a paixão. Décimo Quinto Andar. Quando estava ao seu lado perdia qualquer medo, inventava qualquer história, contava-lhe qualquer segredo. Sempre madura. Sempre imaturo. Meu homem me fazendo criança. Me deixando lembranças das quais sou incapaz ignorar. No primeiro mês tínhamos um caso incompreendido e não abençoado. Muito nova. Muito novo. Muito vizinhos. Muita conversa alheia entrando onde não deve, saindo sem pedir permissão. Namorávamos sim. Se namoro for manter um relacionamento instável e perigoso, com certeza namorávamos. Com a consciência e a visibilidade de todos os porteiros e de todos os diversos síndicos ali presentes. Ele me persuadia. Me fazia o que queria. Me mordia. Me amava. Me enlouquecia. Enfatizo a loucura e oculto o perigo. Cresci em tal situação. Ele me apresentou um sentimento muito maior e mais verdadeiro do que a maioria das pessoas falsas e hipócritas conhecem. A gente se amava. Independente do dia, da hora ou de quem estava próximo. O amor sempre foi nosso e não se desfez com o passar do tempo, com o esvaziar das palavras ou com o barulho atordoante do silêncio. Nosso amor, se é que amor seja a palavra ideal, acontecia sempre que nos achávamos. Que nos beijámos. Que o sentíamos. Ele é o homem da minha vida. Décimo Quinto Andar. Tantas vezes o vi de bermuda. Quantas vezes o percebi sério, querendo me impressionar. Nós não somos tendência. Não somos paixão passageira e muito menos o clichê substituível. Não importa quantas pessoas apareçam em nossas vidas, temos uma marca que apenas nós reconhecemos e que somente nós podemos amar. Ele criou algo muito mais intenso que amor. Me invadiu. Me dominou. Décimo Quinto Andar. Sempre tive duas opções : escada e elevador. Sozinha prefiro a escada. Nós dois somos elevador. Cheios de graça e histórias. Idas e vindas sem pausa na trajetória. Às vezes travamos. SEMPRE voltamos a funcionar. Atração. Desejo. Amor. Paixão. Décimo Quinto Andar.

Escrito em 10.09.2008

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