Nossa peça

Chega a ser bobo o quão ridículos somos. Todos manipuláveis e covardes. Escravos do tempo e da sociedade. Sem personalidade própria e sem sorriso que não seja comprado. Assunto chato esse não é? Quantos de vocês falam de aborto, corrupção e catástrofes numa roda de amigos? Confesso que nem eu costumo conversar sobre isso. Quantos falam de Deus ou em crenças religiosas com o namorado? Perda de tempo. A questão é que essa oração varia de pessoa pra pessoa. Perda de tempo é beber pra passar mal. Perda de tempo é começar a usar drogas aos 15 anos ou em outras etapas quaisquer da vida . Perda de tempo são as brigas sem motivos e tantas vezes irrelevantes que acabam tirando a vida de inocentes. Perda de tempo é estudarmos nos melhores colégios e mesmo assim não atingirmos a meta de notas. Perda de tempo é sempre fingir que está tudo bem quando a nossa vontade é sair correndo desse nosso mundo hipócrita. Hipócritas somos nós. Que nos calamos diante de tudo. Ora, deixemos que os outros façam a nossa parte. Prefiro ser espectador em uma peça de teatro que ser protagonista. O protagonista tem uma função que exige responsabilidade e compromisso, enquanto eu não passo de um observador com direito a críticas sendo estas necessárias ou não. O grande porém é que apenas o protagonista é lembrado. Apenas o protagonista é aplaudido. Apenas o protagonista deixa uma marca, uma história, uma moral. As nossas escolhas vão nos mostrando e nos fazendo a cada dia e a cada oportunidade que recebemos. Somos moldados pelo mundo assim como barro é moldado por nós. A escolha é sua. Você prefere opinar e se manter sentado analisando como a sua vida desmorona-se ou quer dar lugar ao protagonista cheio de textos decorados e bem escritos que há em você? É tudo uma questão de opinião pessoal.

Escrito em 04.08.2008

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