Coisas da Vida

Eu me lembro que certa vez estava na fila de um banco com o propósito de sacar uma quantia 'A' de dinheiro. Atrás de mim havia um jovem que carregava aproximadamente seus 20 anos. Ele tinha o olhar impaciente e desajeitado. Com certeza era o estereótipo de um garoto ansioso e preocupado com os mil e um padrões exigidos pela sociedade. Quem sabe ele nem ao menos trabalhava ou estudava para se encontrar nesse estado psicologicamente afetado. O celular do garoto tocou umas duas vezes sem que ele atendesse. Na terceira tentativa foi vencido pelo cansaço e eu pude ouvir um 'alô' bastante irritado. Pelo que entendi era a sua mãe que estava o esperando em casa. Por ser um sábado imaginei que estivesse acontecendo algum tipo de reunião ou almoço de família na casa da mãe. Realmente o jovenzinho era muito nervoso. A cada três minutos olhava para o relógio procurando um tempo que na minha opinião não seria cronológico. Algo naquele rosto jovem me chamou bastante a atenção. Faltava algum detalhe. Alguma marca. Faltava uma saudade de infância . Ele era incrédulo e calado. Num mundo tão dele que se o tal possuísse certas manias poderia afirmar seu autismo notável. Uma vez que o pseudo autista tentou desistir da fila afirmando em voz alta que não tinha tempo o suficiente para a demora, uma gerente do banco o chamou pelo sobrenome e pediu paciência. Um senhor que se encontrava no fim da fila começou a chorar descontroladamente. Se deslocou de onde estava para perto do rapaz e o abraçou. Todos presentes no banco , assim como eu, se assustaram e não entenderam nada do que estava acontecendo. Aquele senhor era o pai do garoto. Ele abandonou o país há aproximadamente 20 anos a fim de melhorar sua situação financeira. Infelizmente o velho foi descoberto sem passaporte e tudo mais e foi mandado de volta para o Brasil. Sem nenhum dinheiro e sem meios de comunicação, passou os anos em São Paulo e só agora retornava para Goiânia com a notícia de que foi o premiado e ganhou uma viagem para o exterior num concurso que ele havia participado. Inacreditável não? Se o tal garoto fosse embora devido a sua ansiedade generalizada ele deixaria de conhecer o pai e de viajar para os Estados Unidos, onde mais tarde ganharia uma bolsa de estudos em Harvard. A paciência é TUDO. Mesmo que você não tenha, finja ter. Sinceramente? Não acredito em coincidências. Nossa vida é como um trem e o trilho. Caso não haja trilho, posteriormente não haverá o trem.
*História Verídica

Escrito em 01.08.2008

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