Eva
Conheci uma menina que não conhecia. E era como se conhecer já não mais importasse. Tentei explorar toda minha bagagem. Não tinha. O quê? Nada. Nenhum filme, livro, música, letra. E agora? “Agora” é palavra picada, recortada, desenhada. Então, tem! Não, não tem nada. Palavra que sai do vazio não ocupa espaço. Jura? Palavra, aquela que escapa da boca (como soluço), não basta. Mas e a tentativa? Depende de qual é o alvo. O seu? Colorir. O quê? Colorir o mundo dela; as paredes do corpo, aumentar o brilho dos olhos, a largura do sorriso, as curvas da vida. Sem compasso? Não preciso nem de lápis, dá pra fazer com um sopro. An?! É, sopro; tem vezes em que o vento bate e abraça 'que nem gente', sabe? Carinho? Muito mais, é abraço que não desmancha. Mas 'quem é que' vive grudado? Tá aí o segredo, meu abraço é daqueles com toque de liberdade; do tipo: “se amarrar vira nó, mas vê se não solta”. Não entendi. Ué, eu gosto e pronto. Dela? Não é só dela, gosto do par. Explica. Da intensidade do sorriso acompanhando o ritmo do olhar. Mas é pra você? O quê? O sorriso (ou o olhar). Acho que não importa, porque enquanto ela olha (e sorri) daqui de fora o Sol nasce bonito pra mim. E não dói acreditar? Confuso. Discordo, deve doer, se duvidar. Conheci uma menina que não conhecia. E era como se conhecer já não mais importasse. Conheci uma menina que me conhecia e era como se não conhecer já não fosse verdade. Conheci uma menina que me fez falar com o coração. De vez em quando ele emburra, grita, chora, faz manha, ri, implora, arranha. Igual criança! Só sente, sem medo, inocente, inteiro, sem culpa, alcance e relance, doente sem cura . E pro coração (e criança) pra tudo tem jeito, não existe defeito nem mãos sem atar. Pra que desespero? Sei lá, o mundo apavora. Mas o que é sincero demora. Coração, não amola! A gente vai esperar! Conheci uma menina. E sobre aquela menina, nem sei falar...
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