Tive vontade de falar-lhe mais.
Talvez, em alguns outros dias,
Não lhe fale tanto.
E, ainda assim,
Meu coração baterá acelerado.
Por momentos, desconhecerei o ritmo das batidas.
Muito forte, muito rápido, quase nada.
E vou gostar de me corromper nesse descompasso.
Dançando, a esmo, no vazio do seu espaço.
Minhas mãos, agora trêmulas,
Segurarão as suas.
Seguras como nunca tremidas,
Enrijecidas como nunca antes tocadas.
Encontrando o que não se dissipa,
Por entre as nucas molhadas.
Encaixando-me no vão dos seus dedos,
Eu fico na ponta do pé.
Bailando os nossos segredos.
Desembaraçando, dentre todos os defeitos,
O medo de afrouxar o balé.
Passo por passo,
Dançando como nunca dancei.
No vácuo, fez-se o laço,
Atando o que nunca soltei.
Abalizado, atordoado, acelerado.
Meu coração.
Muito forte.
Muito rápido.
Rodopiei paixão.
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