Há de seres meu afago
Envolver-me com tuas mãos
Dando à vista o outro lado
Perecendo a ilusão
Daquilo que é tentado
Pelo sim e pelo não
Atestado de um talvez
E não dá folga ao coração
Não me canso de arder
Querer ser, então, além
E eu em busca de prazer
Que o perder não me quer bem
Vou tentar no cá e lá
E cair daqui também
Na tua paz cambalear
Neste nó de "vai e vem"
Se o quando desandar
Se o agora recuar
E se o "se" nos apartar
Não me perco no desande
Sem que "se" deixe inconstante
O meu corpo a caminhar
Nem tão longe, já dizias
Nem tão perto, deduzias
E na estampa do teu rosto
Euforia me engolia
Dedurando o meu gosto
Sublimando minha pele
Pra que a tua não congele
Derretes-te à sensação
De correr só pra tentar
De temer e não parar
Até queimares-te ao borbulhar
Efervescente tentação
D'outra vez em ti ficar
O teu colo escaldar
Cálida boca me encontrar
Na mais torta exatidão.
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