A Coisa

Sou uma pessoa bastante sociável, altamente comunicativa e posso dizer que caso escrevesse um livro ele seria aprovado. No meu trabalho me chamam de senhora. Em casa sou mãe. Na cama sou mulher. Não tenho medo do novo e não evito arriscar. Superstições já fizeram parte do meu cotidiano e, no entanto, hoje sou cética quanto às coisas do mundo. Tenho um amigo que se difere dos demais. Talvez pudesse dizer que faça parte da minha mão, como uma extensão que me faz melhor, mesmo que utopicamente. Juntos, nós fazemos o inacreditável. Eu preciso dele sempre. Tento acreditar que ele também não conseguiria existir sem que minhas mãos segurassem-no. Com firmeza. Com certeza. Como se ele não pudesse cair e muito menos se machucar. Em alguns momentos, é o meu topo. Idealização. Ele passa a ser meu arquétipo, arquétipo de vida. Meu fetiche. Sinto que já me dominou. Eu o escolhi e ele aceitou. Fazendo-se o encaixe perfeito, na palma da minha mão. Nós somos amigos há quase três meses . Tão pouco e me pego tão alienada. Vibro quando chama a mim. Por impulso, eu o seguro e o faço presente em meus próximos cinqüenta minutos.
Mundo pequeno e capitalista em que as coisas recebem valores humanos e nós somos coisificados.

Escrito em 15.08.2008

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