Casemo-nos

Sem razão desabrochei.
Em nada mais acreditei.
Sacrifiquei-me à solidão
de quem vive a esperar. 
Mesmo assim, eu quis estar:
afoita, aflita, sem fôlego, moída
(inexpressivo desconforto de poder continuar).
Ainda que a cor perdesse o brilho,
e que o mórbido permanecesse contínuo,
repetiria o "Fi-lo porque qui-lo.",
que à loucura só bem quis o agradar.
Na instância do não-ser, implorei-lhe a me livrar
de tão somente desejar
cada gesto do querer, todo gosto de prazer
por uma vez satisfazer 
e já não mais 'não-pertencer', 
delirando o verbo amar.
O que você faria,
caso a saudade, sozinha,
(a sua; a minha)
nas suposições do convencer,
renegasse o 'des-querer'?
Por um segundo perdoei 
a mim mesma (sem razão)
por todo encanto da paixão 
e insisti no deleitar.
Do meu riso à sua mão,
sacrifiquei a solidão
por quem vivi a esperar.

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