Do que sou
Do que não sou
Do que faço
Do que não posso fazer
Do que amo
Do que me engana
Do que não quero ter
Do medo que não domina
Da voz que não ensurdece
Da paixão que não alucina
Da sanidade de quem esquece
Do tesouro que já perdi
Da vantagem de merecer
Da razão de estar aqui
Do risco de envelhecer
Eu continuo (a prosseguir),
no pleonasmo do (sobre)viver,
validando a constância ao sorrir
e a mutação que me vale ser.
Asas
Seria mais fácil, se não fosse assim. E aí carregaria a
certeza de que o tempo não vai embora, como um pássaro, alçando voo, que se
despreocupa com o resto das coisas lá embaixo, reafirmando a antinomia diante
da força do vento e da leveza eterna dos detalhes mais simples. Vez ou outra é
válido olhar pra trás e se morder de nostalgia ao pensar nos tempos em que
andar “fosse” engatinhar. Seria mais fácil, se não fosse assim. Engatinhando,
tenho a certeza (de um pássaro) de que o tempo não vai embora. Enquanto o mundo
corre (aí fora) desenfreado, numa pista sem linha de chegada e sem prêmio ao
primeiro lugar. Sim, também já corri. Seria mais fácil, se não fosse assim. Não
entendia a frustração da queda nem os tropeços que quase me arrancaram as unhas
dos pés, a cabeça dos dedos, os dedos, os pés, as pernas, o tronco e a mente.
Optei por não culpar as estrelas. Talvez por escasso o meu fôlego pro acaso.
Seria mais fácil, se não fosse assim. No meio do caminho, decidi desfazer-me
daquilo que me fez errada, culpada, calada, temente, descrente (“enfrente, não
deu!”). Seria mais fácil, se não fosse
assim. Resolvi, enfim, aceitar que a vida é bem e mal. Não há embate entre um e
outro. Não existe impasse entre um ou outro. A vida é um todo; há momento pra
tudo e há um tudo no todo. São sempre dois, três, quatro e um turbilhão do que
sentimos. Ah, (e como!) seria mais fácil,
se não fosse assim. Pudera eu nunca ter
me desencontrado no abismo do previsível. Aqui, sentada, no labirinto da pista
(de dança), o destino me lança e nele mal acredito. A recompensa é indeclinável
quando depreendida das várias saídas a que podemos recorrer. E eu decidi
esperar, engatinhar, dançar, transcorrer. Catando aos poucos (do chão, do
portão, da janela, do telhado) os pedacinhos do muito e do nada que fui um dia.
Pessoa, encontro, fascínio e uns tantos de mim mesma prontos para serem peças
de outros tantos quebra-cabeças . E, finalmente, levantei-me para andar. Quem
dera eu pudesse, a penas (de pássaro), apenas engatinhar. Seria mais fácil, se
fosse assim. Para cada passo, fidelidade ao que sinto. Para tudo que faço,
intensidade e instinto. Felicidade é poder escrever, na minha última página,
que brinquei com a vida, com o medo, com o tempo. Fantástico dizer que não se
precisa de muito. Somos o conjunto de tudo de que não precisamos para sorrir.
Convenci-me de que destreza é abrir um sorriso (ainda que alheio) e, como um
anel, guardá-lo (bem guardadinho). Aquele sorriso que a alma estica, o “amor-ternura”,
o olhar engrandece e a boca desenha, copia e cola pra sorrir de novo, noutro
beijo, noutro sorriso. E noutra mão segurá-lo, só pra guardá-lo (como um anel)
bem guardadinho. Se não fosse assim, não seria eu. Se não fosse assim, não
teria você. Se não fosse assim, não caberia você em mim (não caberia você e eu).
Até que comece de novo: engatinhando, com a certeza (de um pássaro) de que o
tempo não vai embora. E o pássaro canta um pouco de tudo que já lhe mostrei e
de todas as outras músicas que nunca mandei e escutei pensando em como seria
ser sem você, (você) sem mim. Dois, três, quatro e um turbilhão do que
sorrimos. Deixe-me sentir, deixe-me sonhar. Deixe-me não impedir minha mão,
aqui, a segurar (seus outros mil sorrisos)! E deixe (soltar), quando (e se)
eles quiserem voar e espalhar por aí, no fragor das asas, o mesmo estrondo do
que escrevi... Encantando-se por outros muitos sorrisos. Sorriso por inteiro.
Sorriso pelo cheiro. Sorriso ao decifrar (aconchego pelas mãos, enquanto tentam
segurar). E eu sorrio por um risco (da
melhor coisa que nunca tive). É o que mais quero arriscar. Meu sorriso aberto;
discreto; constante; distante; de lado; ousado. Precisa d’outros mil escorrendo
por entre os céus da minha boca, de dois em dois, caindo (como pena) na palma d’outra
mão. É o que mais dói sem tocar. (Seria mais fácil, se não fosse assim?) Dois,
três, quatro e um turbilhão do que sentimos. Eu que mais ri, no truque de gargalhar.
Dois, três, quatro e um turbilhão de sorrisos. (Não é difícil) Sorriu pra mim.
Seria nada, se já não fosse assim.
Casemo-nos
Sem razão desabrochei.
Em nada mais acreditei.
Sacrifiquei-me à solidão
de quem vive a esperar.
Sacrifiquei-me à solidão
de quem vive a esperar.
Mesmo assim, eu quis estar:
afoita, aflita, sem fôlego, moída
(inexpressivo desconforto de poder continuar).
Ainda que a cor perdesse o brilho,
Ainda que a cor perdesse o brilho,
e que o mórbido permanecesse contínuo,
repetiria o "Fi-lo porque qui-lo.",
que à loucura só bem quis o agradar.
Na instância do não-ser, implorei-lhe a me livrar
Na instância do não-ser, implorei-lhe a me livrar
de tão somente desejar
cada gesto do querer, todo gosto de prazer
por uma vez satisfazer
e já não mais 'não-pertencer',
delirando o verbo amar.
O que você faria,
delirando o verbo amar.
O que você faria,
caso a saudade, sozinha,
(a sua; a minha)
nas suposições do convencer,
nas suposições do convencer,
renegasse o 'des-querer'?
Por um segundo perdoei
Por um segundo perdoei
a mim mesma (sem razão)
por todo encanto da paixão
e insisti no deleitar.
Do meu riso à sua mão,
sacrifiquei a solidão
por quem vivi a esperar.
Enquanto
Nada jamais saciou minha
vontade de escrever, e algumas pessoas inspiram-me a continuar. Você desperta
um anseio incessante de tornar possível a transformação de palavras em tudo
que seja palpável. Resolvi constar por aqui (sempre), em vez de deixar essa (incansável) vontade
à míngua do silêncio e, assim, preencher o vão que há entre uma palavra e
outra. Pego-me diante da linha tênue do que é e do que de repente será. Desmancho-me
com a expectativa da ternura que são os esforços para encostar o meu sorriso no
seu, para sentir o afeto estonteante do seu cheiro em mim e derreter-me no calor da euforia da sua
risada dando sonoridade a cada poro do meu corpo. Talvez, então, alcançar o seu
mundo só pra trazê-lo pra perto do meu. Quero sentir sua respiração no ritmo
dos ponteiros que não mais se desencontrarão. Não é exagero! O fato é que do
resto do mundo a memória se encarrega de trazer vultos densos, e eles nunca são
seus. Quero ter saudade "feita de pele pra usar por debaixo da roupa"
(Do Teu Lado- Leoni). E ainda que seu sorriso interno fosse um dia digerido, eu o absorveria (por precaução) para que dele se fizesse matéria bruta. Gosto
de ouvir, às vezes sempre, o sopro da sua voz em meio a este tumulto, aqui, dentro
de mim. O desvio do seu olhar, por motivos que eu mesma criei, é a trilha que
sigo, driblando a razão, sempre contornando seus passos. E torço pra que o
destino (se é que acredita nele) traga-os à minha direção, em todas as formas,
enquanto encantarem-se e desencantarem-se por tantas outras estradas. Espero
que acredite em minha tentativa de não usar tons clichês, e que materialize,
sem a ajuda do tempo, a sensação que nem Freud soube explicar, a não ser quando
disse que "...o que não fazemos mediante loucura é resto, e o resto é silêncio".
Que não me cale
Tive vontade de falar-lhe mais.
Talvez, em alguns outros dias,
Não lhe fale tanto.
E, ainda assim,
Meu coração baterá acelerado.
Por momentos, desconhecerei o ritmo das batidas.
Muito forte, muito rápido, quase nada.
E vou gostar de me corromper nesse descompasso.
Dançando, a esmo, no vazio do seu espaço.
Minhas mãos, agora trêmulas,
Segurarão as suas.
Seguras como nunca tremidas,
Enrijecidas como nunca antes tocadas.
Encontrando o que não se dissipa,
Por entre as nucas molhadas.
Encaixando-me no vão dos seus dedos,
Eu fico na ponta do pé.
Bailando os nossos segredos.
Desembaraçando, dentre todos os defeitos,
O medo de afrouxar o balé.
Passo por passo,
Dançando como nunca dancei.
No vácuo, fez-se o laço,
Atando o que nunca soltei.
Abalizado, atordoado, acelerado.
Meu coração.
Muito forte.
Muito rápido.
Rodopiei paixão.
Avante!
Vale ressaltar a honra de lutar por um ideário há muito tempo ignorado pela população do Brasil. Ontem, assistindo as manifestações, pude me orgulhar de todos nós (cidadãos). Sim, devemos encher a boca pra GRITAR nossa cidadania! Vi o povo clamando por seus direitos civis, políticos e sociais. Arrepiei-me devido à emoção do primeiro (de muitos) embates em face de um Estado corporativo. Pensei jamais presenciar reivindicações como esta, não no Brasil. E, graças à coragem e à garra brasileira, enganei-me. Aqui, não se discute somente entraves como a desigualdade gerada pela falta de oportunidades. Discute-se, fundamentalmente, a busca pelo reconhecimento de que somos diferentes e imploramos por respeito a essas diferenças e, ante a qualquer outro fato, busca-se (finalmente!) a efetivação da cidadania no país! É indubitavelmente impossível que haja democracia sem que prevaleça a liberdade individual; e paradoxalmente falho o sistema que iguala seus cidadãos perante a lei e, por meio de barreiras invisíveis, lhes nega direitos pra que consolidem o exercício de seu papel na sociedade. Gritem, protestem, vão às ruas! Tudo isto é direito fundamental previsto na Constituição Federal. No entanto, estejam preparados para lidar com policiais treinados em prol de uma classe dominante e a favor “do combate aos inimigos”. Sordidamente, desconhecem o real sentido de "proteger cidadãos". É preciso que tenhamos força intelectual para enfrentarmos resquícios do militarismo e uma tradição inquisitorial travada pela privatização do público e pelo raciocínio estapafúrdio que confunde "direito" e "privilégio". Há falta de conhecimento no que se refere à "coisa pública" e são poucos os que entendem, de fato, o que é ter direito de ir e vir, direito de se expressar, direito de crer ou não crer, direito à saúde, direito à moradia, direito à segurança, direito à educação etc. A solução não se encontra numa reforma política, mas numa reforma eruditamente coletiva em que pensemos um mundo novo e abracemos (com muito orgulho) tudo aquilo que é nosso! Um povo que não sabe o que lhe é de direito não tem o que é suficiente pra se sentir parte de uma nação! Este momento é enfático, já que ratifica a nossa percepção quanto a não-dependência do assistencialismo estatal! A organização social é imprescindível e é inevitável, também, que eliminemos o imaginário de que o "Estado é o pai de todos". Não se cansem e não se percam. Existe, SIM, uma causa e somos PROTAGONISTAS dela! O caminho é longo, embora não haja dúvidas de que a vitória já chegou. Afinal, CIDADÃOS, o Brasil, INABALAVELMENTE, acordou!
Anúncio
Anúncio para Revista People em colaboração com a agência Áquila Gestão de Marcas
Publicado na revista Casa Cor GO de 2014
Mãe
À dádiva mais doce (afável em gotas de mel).
Dentre todos os desertos d’alma, o desacertado (carente) é o incapaz de estrugir a fluorescência “mãe”. Minha boca alcunha, o coração conjura, o olhar atenta, e as mãos agarram, numa força inimaginável, o carinho que transpõe o tempo e redefine a vida. Impossível mencionar quantas (infinitas) vezes meus pensamentos (e minhas saudades) chamaram por ela. Toda redundância é minudência, se comparada à proteção que abarrota o colo dela. E que tudo de mais belo deste mundo esteja na medida de sua beleza ou, quando mais, que seja tão belo quanto as flores que esboçam seu sorriso. Assim que abri meus olhos, perdi o medo do que me era novo. Soube, desde o primeiro instante, que um anjo caminharia ao meu lado sempre em que eu sentisse medo. Assimilei o princípio de amar. E o meu choro (ou grito estridente da existência) relatou a sensação ao reconhecê-lo (o anjo) e fomentou a primeira de todas as (infinitas) vezes em que acolheu meus apelos apavorados e deu voz aos meus risos descascados de razão. Ela (“mãe”) é a única palavra que sintetiza o sentido de todas as outras palavras nas quais acredito. Se perguntarem-me (porventura) “quem sou”, responderei, abraçada pela paz de tê-la comigo: ela (tudo), pra ela (cada segundo), a ela (eternidade vislumbro), dela (em todas as (im)possibilidades, o mais sincero amor do mundo).
Dentre todos os desertos d’alma, o desacertado (carente) é o incapaz de estrugir a fluorescência “mãe”. Minha boca alcunha, o coração conjura, o olhar atenta, e as mãos agarram, numa força inimaginável, o carinho que transpõe o tempo e redefine a vida. Impossível mencionar quantas (infinitas) vezes meus pensamentos (e minhas saudades) chamaram por ela. Toda redundância é minudência, se comparada à proteção que abarrota o colo dela. E que tudo de mais belo deste mundo esteja na medida de sua beleza ou, quando mais, que seja tão belo quanto as flores que esboçam seu sorriso. Assim que abri meus olhos, perdi o medo do que me era novo. Soube, desde o primeiro instante, que um anjo caminharia ao meu lado sempre em que eu sentisse medo. Assimilei o princípio de amar. E o meu choro (ou grito estridente da existência) relatou a sensação ao reconhecê-lo (o anjo) e fomentou a primeira de todas as (infinitas) vezes em que acolheu meus apelos apavorados e deu voz aos meus risos descascados de razão. Ela (“mãe”) é a única palavra que sintetiza o sentido de todas as outras palavras nas quais acredito. Se perguntarem-me (porventura) “quem sou”, responderei, abraçada pela paz de tê-la comigo: ela (tudo), pra ela (cada segundo), a ela (eternidade vislumbro), dela (em todas as (im)possibilidades, o mais sincero amor do mundo).
Pretensão
Eu tive a intenção de dizer a você alguma coisa muito
especial. Alguma coisa que a fizesse largar tudo e vir correndo me ver, ainda
que não viesse, que deixasse as palavras escorrendo, martirizando tudo que
ainda não foi ou idolatrando tudo que ainda será. Morri de vontade de puxar seu
cabelo e de obrigá-la a olhar pra mim, pra marcar bem fundo. Mas não posso
sequer tentar. Dói ausência, escassa-presença e resto- esperança. Não tenho
medo do que sou, mas do que serei quando puder, enfim, tê-la por perto. Aqui,
agora, rabisco todos os maus pensamentos e apago de vez a saudade do que nunca
tive. Não é que precisava escrever a você algo especial, precisava mesmo de ser
especial pra você. Se me perguntarem como estou, direi que vou indo,
cambaleando, aliás, perdida no espaço em que seu passo não me encontrou. Sem
melancolia também. Não deixarei de esperar. Há de ter o momento do encontro e
você há de entender que nada é tão esmerado quanto deixarmo-nos esbarrar pelas
retas meio-tortas do destino. Para cada "se cuida" que eu um dia
disser, entenda como um "me cuida" ou como um grito de "me
segura", pra que eu não caia mais uma vez no precipício do seu sorriso.
Eva
Conheci uma menina que não conhecia. E era como se conhecer já não mais importasse. Tentei explorar toda minha bagagem. Não tinha. O quê? Nada. Nenhum filme, livro, música, letra. E agora? “Agora” é palavra picada, recortada, desenhada. Então, tem! Não, não tem nada. Palavra que sai do vazio não ocupa espaço. Jura? Palavra, aquela que escapa da boca (como soluço), não basta. Mas e a tentativa? Depende de qual é o alvo. O seu? Colorir. O quê? Colorir o mundo dela; as paredes do corpo, aumentar o brilho dos olhos, a largura do sorriso, as curvas da vida. Sem compasso? Não preciso nem de lápis, dá pra fazer com um sopro. An?! É, sopro; tem vezes em que o vento bate e abraça 'que nem gente', sabe? Carinho? Muito mais, é abraço que não desmancha. Mas 'quem é que' vive grudado? Tá aí o segredo, meu abraço é daqueles com toque de liberdade; do tipo: “se amarrar vira nó, mas vê se não solta”. Não entendi. Ué, eu gosto e pronto. Dela? Não é só dela, gosto do par. Explica. Da intensidade do sorriso acompanhando o ritmo do olhar. Mas é pra você? O quê? O sorriso (ou o olhar). Acho que não importa, porque enquanto ela olha (e sorri) daqui de fora o Sol nasce bonito pra mim. E não dói acreditar? Confuso. Discordo, deve doer, se duvidar. Conheci uma menina que não conhecia. E era como se conhecer já não mais importasse. Conheci uma menina que me conhecia e era como se não conhecer já não fosse verdade. Conheci uma menina que me fez falar com o coração. De vez em quando ele emburra, grita, chora, faz manha, ri, implora, arranha. Igual criança! Só sente, sem medo, inocente, inteiro, sem culpa, alcance e relance, doente sem cura . E pro coração (e criança) pra tudo tem jeito, não existe defeito nem mãos sem atar. Pra que desespero? Sei lá, o mundo apavora. Mas o que é sincero demora. Coração, não amola! A gente vai esperar! Conheci uma menina. E sobre aquela menina, nem sei falar...
Encaminho-me
Há de seres meu afago
Envolver-me com tuas mãos
Dando à vista o outro lado
Perecendo a ilusão
Daquilo que é tentado
Pelo sim e pelo não
Atestado de um talvez
E não dá folga ao coração
Não me canso de arder
Querer ser, então, além
E eu em busca de prazer
Que o perder não me quer bem
Vou tentar no cá e lá
E cair daqui também
Na tua paz cambalear
Neste nó de "vai e vem"
Se o quando desandar
Se o agora recuar
E se o "se" nos apartar
Não me perco no desande
Sem que "se" deixe inconstante
O meu corpo a caminhar
Nem tão longe, já dizias
Nem tão perto, deduzias
E na estampa do teu rosto
Euforia me engolia
Dedurando o meu gosto
Sublimando minha pele
Pra que a tua não congele
Derretes-te à sensação
De correr só pra tentar
De temer e não parar
Até queimares-te ao borbulhar
Efervescente tentação
D'outra vez em ti ficar
O teu colo escaldar
Cálida boca me encontrar
Na mais torta exatidão.
Envolver-me com tuas mãos
Dando à vista o outro lado
Perecendo a ilusão
Daquilo que é tentado
Pelo sim e pelo não
Atestado de um talvez
E não dá folga ao coração
Não me canso de arder
Querer ser, então, além
E eu em busca de prazer
Que o perder não me quer bem
Vou tentar no cá e lá
E cair daqui também
Na tua paz cambalear
Neste nó de "vai e vem"
Se o quando desandar
Se o agora recuar
E se o "se" nos apartar
Não me perco no desande
Sem que "se" deixe inconstante
O meu corpo a caminhar
Nem tão longe, já dizias
Nem tão perto, deduzias
E na estampa do teu rosto
Euforia me engolia
Dedurando o meu gosto
Sublimando minha pele
Pra que a tua não congele
Derretes-te à sensação
De correr só pra tentar
De temer e não parar
Até queimares-te ao borbulhar
Efervescente tentação
D'outra vez em ti ficar
O teu colo escaldar
Cálida boca me encontrar
Na mais torta exatidão.
Vanessa
O silêncio que agora me cala na sua boca é o mesmo que me inquietou quando por medo não havia beijado-a. A loucura pela qual passamos antes me atormentava e agora acalma meu coração. Fico perguntando aos outros o que é isso que chamamos de amor e o quão o tempo se torna insignificante diante de dois corpos que se complementam, se encaixam e se amam. Nós dois. O incrível é que, por algum milagre, consegui encontrá-la antes de deixar de acreditar em qualquer tipo de sentimento. Encontrei-me e renasci, rejuvenesci minhas ideias e me abri para um mundo que não conhecia. Encontrei em você o mundo que me acolheu e me deixou confuso... Não sei usar palavras para definir o que sinto quando estamos juntos e vejo que não preciso de palavras (ou de mais nada) quando seu lábio encosta no meu e, aí, percebo que esse mundo novo, alternativo e cheio de paixão foi criado pra gente, já que não há espaço mais completo do que seu abraço. Nós dois. Fugimos de um padrão de relacionamento, não nos conhecemos e nos entendemos tanto; não nos vemos (com frequência) e a cada dia tudo que enxergo é reflexo da sua maneira de me olhar. Estou tão longe e tão perto, como se você sempre carregasse uma parte do que eu sou, do que eu acredito e levasse consigo um pouco das minhas teorias antes mesmo de me conhecer... Nunca fui de acreditar em romances certos ou incertos e muito menos nas hipóteses de almas gêmeas, mas ,aí, bem nesse trechinho, o destino me fez tropeçar e rever todos os meus conceitos! Depois do nosso primeiro beijo, tentei olhar nos seus olhos, mas o meu nervosismo e a minha timidez intencional me impediam... Mesmo sem olhar profundamente, percebi que você é a mulher da minha vida. Quanto mais descubro sobre você, mais fácil fica pra me entender, porque, por mais que eu não saiba explicar, alguém me enviou um anjo e não me assustaria caso esse anjo estivesse sempre por perto... Conhecer o seu brilho e ter gozado do seu cheiro foi o melhor possível dessa vida. Você é a melhor parte de mim, e eu sou você por inteiro. Nós dois.
Escrito em 28.01.2010
Escrito em 28.01.2010
in(completo)
O meu jogo não tem regras, apenas surtos. Inúmeras vezes me pego preso a um ideal inalcançável e aí a verdade de que tudo muda e de que o mundo não é meu vem à tona. Não posso negar que já pensei em sair correndo pelas ruas à procura de uma liberdade que talvez nunca tenha me preenchido por inteiro. Sei que o conceito de liberdade já me digeriu, me induziu, me corrompeu, mas nunca como um todo, nunca como possibilidade. Sensibilidade. Chega a ser engraçado a maneira como as pessoas me olham, elas não me percebem, não entendem como eu as devoro pelo olhar e como um sorriso doado, por caridade ou piedade ( que seja) poderia dar um sentido a vida hipócrita que a maioria alienada leva. Sou diferente e a minha diferença me tornou comum, a ponto de me confundirem com esses tantos iguais que se relacionam com qualquer um e que falam vez ou outra de problemas insolucionados e pateticamente fúteis. Não quero falar da minha vida, dos meus conceitos , das minhas crenças. Quero expor minhas loucuras, meu medo do tumulto, meu medo da solidão, medo do incompleto, da paixão. E o meu rosto de homem, barbado, oculta a face de um sonhador controlado pela dialética de um mundo falho que me exclui e me apaga gradualmente. A ilusão de parar, desvendar os mistérios das músicas, degustar dos sabores dos ritmos e das notas e tocar a guitarra como toco o amor ainda é pouco. Procuro desvendar o outro, para encontrar as respostas sobre mim mesmo. Não sou calmo, tranquilo. Me mordo de ansiedades por dentro, da cabeça aos pés, das mãos aos ouvidos e libero o que eu sinto: a perda, a incompreensão, razão por gritos surdos e violência instintiva, não que eu seja mau por criação ou por marginalização, sou mau por natureza. Maldade de Hoobes. Sou sim, meu lobo, meu inimigo íntimo e talvez seja essa fúria não sanada que me atormente nas noites mal dormidas e me deixem por alguns instantes desacreditar na minha capacidade indiscutivelmente brilhante. Nasci pra viajar nos mundos dos doentes amantes das sabedorias e quando nao me cederem as passagens , viajo nos livros em que me encontro sempre em diversos mundos e em migalhas de felicidade. Já passei por momentos que não facilitaram os caminhos e eu confesso, ainda que orgulhoso, que me perdi no caminho de volta pra casa. Já me senti sozinho, no quarto, chorando, em Pânico, me procurando e o reflexo do espelho já não me era suficiente. Perdi. Chorei. Ainda choro. De Saudades. De Amor. De Saudades. De amor. De saudades. E o meu amor não explicável, encontrou o complemento, suplemento, outro amor. E agora que não estou sozinho morro de medo de perder, perder de novo e sofrer e chorar de saudades. Então pra que eu não fale dos meus problemas insolucionados, inesquecíveis e que rasgam meu peito, prefiro minhas loucuras, meu medo, meu som. Vou tocar pra que vocês me conheçam e temam me perder. Vou estudar pra que meu mundo não se feche como a maioria, não nasci pra muitos amigos, muitos abraços , muitas ideias. Sou foco do meu foco em mim mesmo e o abraço de que preciso e clamo vem de uma mulher que vive o piano. Continuo tocando, estudando, viajando, chorando e temendo. Continuo batendo, espancando, me corroendo, gritando. Não é que eu espere ser sempre lembrado, mas é que eu desejo ser muito bem lembrado. Como uma música que penetra, invade, transforma e atinge os mais ínfimos sonhos.
Escrito em 15.10.2009
Escrito em 15.10.2009
Rosas Vermelhas
Mais uma vez, caí na sutil ingenuidade de não acreditar na verossimilhança das suas palavras e na sinceridade do seu sorriso. Mais uma vez, percebi que nada conheço, tudo admiro e pouco espero, já que o pouco que esperava do seu abraço, hoje, é tudo que quero de mim mesma. Rosas Vermelhas. A surpresa imediata e irreversível de um amor mal acabado e infinitamente novo realçou a rosa estampada no meu corpo e despertou em você a vontade de beijá-la. Rosas Vermelhas. A angústia da espera e o medo do descontentamento feriram meus pensamentos por alguns longos minutos, até que encontrasse novamente a verdade do amor e a irreverência da paixão. Rosas Vermelhas. Esperei muito para que você provasse para si mesmo que precisa de mim pra seguir em frente ou que precisa da minha voz para dormir bem. Demorou pouco após nosso último encontro para que entendesse, definitivamente, que é preciso conquistar uma mulher e realizar todos os fetiches e sonhos antes não realizados, já que a graça do nosso beijo e do nosso laço está justamente na sua estranha capacidade de me conduzir como numa dança e fazer com que cada coreografia seja distinta, única e inesquecível. Talvez você ainda não perceba o quanto eu espero de você. Rosas Vermelhas. A sensação de correspondência e reciprocidade tornou minha vida um pouco mais tranquila e mil vezes mais agitada, já que meu coração bate mil vezes mais rápido a cada ligação sua. Rosas Vermelhas. Procurei desesperadamente por um cartão perdido no meio da beleza singela do buquê, do único buquê pelo qual me encantei. Minhas mãos se perderam diante da dimensão do carinho e da audácia das rosas, rosas vermelhas. Segurei o cartão com força antes de abri-lo , torcendo pra que as rosas tivessem sido mandadas pelo último romântico e primeiro amor da minha vida. Tremi. Gelei. Me contorci. Gritei. Rosas Vermelhas. Eram suas, agora minhas. E ,naquele instante, mesmo distante do meu sorriso bobo, você sentiu, como o vento arrepiando a espinha, que sempre fui inteiramente sua. Rosas Vermelhas. E a minha rosa, nua.
Escrito em 09.10.2009
Escrito em 09.10.2009
. (ponto)
Que o texto comece com o ponto que dá a falta e a falha para o tonto, já que o mesmo não entende a perspectiva de vida diante de uma encruzilhada que chamamos "tempo". E que do tempo se perca o momento e se interrompa a loucura da tentativa incessante de encontrar a cura pra patologia fétida de uma humanidade nua. Despida do clássico absoluto e, a esmo, sendo o arquétipo de produto. Somos fruto de um mercado exigente e que do ponto se faça gente e que a gente seja o produto. No controverso fetiche de felicidade, há aglutinação da maldade e da corrupção de valores. E que o ponto após a verdade apague os falsos rumores e nos arranque toda idade, já que velhice é o ponto da crueldade e da ausência de honestidade daqueles que falam em respeito. O ponto do buraco da vida é escorregar, até que se encontre a saída para todos os fins eloquentes. Já não adianta tentar decifrar o que somos agora. Não somos nada e temos tudo. Somos o mundo e a alma a fora. Tampouco pouco sabemos o que descobrir, que tão pouco descobrimos nada. E que o nada, depois do ponto, não seja o fim de uma parte vazia, não encontrada, da hipocrisia tão adorada dos falsos poetas e pseudoamantes. Por que de amor tanto se fala, se a boca cala quando o coração chora? Somos escravos de um monopólio de soberania. Enquanto uns choram, outros oram e pedem por sabedoria. E que o ponto da minha gramática seja a lição final da vida. Pois, no ponto em que me encontro, apenas revelo a identidade de um sonhador à procura de mim mesmo.
Escrito em 17.09.2009
Escrito em 17.09.2009
Is This Love
Definir o engraçado é relativamente divertido quando o assunto é destino. Nesses últimos dias, me pego rindo com os meus suspiros ao lembrar você, e aí o engraçado começa a fazer parte da minha rotina, desde quando ouço aquela música, aquela... Do Bob Marley, lembra? Até o momento em que sinto o seu cheiro colado em mim, como feitiçaria. E o toque das suas mãos nas minhas costas invade meu coração e domina, de novo, os meus sentidos.É ironia acreditar que mais uma vez você está comigo, e mais uma vez não está.É ironia analisar nossa semelhança, e como no fundo não nos parecemos. O que mais quero é você por perto, e o que mais quer? O hálito quente da sua boca, com gosto novo de coisa antiga, me renova por dentro e impregna mais que as minhas tatuagens. Incrível como o mesmo menino orgulhoso direciona o meu olhar e passa a ser o homem da minha vida. Eufemismos à parte, ninguém nunca me tocou com o seu toque, me beijou com o seu beijo, me olhou com os seus olhos e me amou com sua alma. Já que ninguém nunca será o quanto você é e nem ao menos terá o quanto você tem. Por você, não iria longe, não é possível ir mais longe do que já estou. Arriscando todas as palavras alheias e todos os conselhos. Esquecendo todos os detalhes frustrantes do seu passado complicado e me entregando como uma menina, nos seus braços, mais uma vez. Ouvindo aquela, aquela música. Adoro o seu corpo simetricamente perfeito e adoro, ainda mais, seu corpo em mim. Adoro seu tamanho desproporcional aos outros e ideal à minha boca. E se há algo em você que não admiro é o fato de não entender qual o problema comigo quando estou do seu lado. Problema esdrúxulo que me deixa boba, sorrindo à toa, como uma louca apaixonada. Nós trememos juntos. Trememos de atração, de prazer. Tememos o tremer do medo. Medo de mais uma vez a vida nos pregar uma peça e de, mais uma vez, esse destino (tão hipócrita) nos separar. E quando você diz estar escrito nas estrelas, acredito. Não por ainda ter aquela ingenuidade de menina, mas por saber que, de uma maneira ou de outra, estarei sempre na sua cabeça. Se não estiver, deixo de acreditar em todas as outras teorias e em toda minha história. Seria injustiça demais que você não me amasse o tanto quanto te amo, já que nem durante os meus sonhos você me deixa em paz. E é esse tormento, essa aflição, essa ansiedade, essa saudade que quero sentir. Quero chorar todos os dias pelo medo de te perder. Quando estivermos enfim, inexplicavelmente, juntos, daremos gargalhadas das tantas lágrimas e receios que esse destino nos impôs. Esse destino,embora embaraçoso e lento, é o mesmo que diz pro meu coração esperá-lo. Ouvindo aquela, aquela música... Do Bob Marley, lembra?
Escrita em 08.09.2009
Escrita em 08.09.2009
Clichê
Decorei um dicionário pra que assim pudesse convencê-los de minha capacidade e do meu conhecimento. Creio que esteja forjada a um destino de mil e um grilhões, diante da perplexidade em que nos encontramos e do ceticismo dos meus leitores.Estou, a esmo, numa busca vazia por palavras novas que sejam capazes de seduzir e que, de forma enigmática e subliminar, as minhas idéias de mundo entrem e persuadam suas mentes.Não suporto textos rebuscados e superiores,a leitura deve ser clara, objetiva e acessível. Posso até ser intrépida ou quem sabe fútil. Mas, amor por amor é palavra do povo. Sexo por sexo é palavra do povo. Poucos são os que conhecem, a fundo, a semântica das palavras. Então que façamos palavra por palavra. Do povo, pelo povo e para o povo.Ideologias à parte eu também sou o povo. E que a rima pouco importe, se o subentendido valha. E que a ordem seja intensa-tensa. E que o pão seja bão-tão. E quando a boca cala,fala. E quando o dia retoma-toma. E se a boca chama,ama. E se o cão late, mate. Se a criança chora, ora. E quando a mão trai, atrai. Já que o poeta, quando escreve, é leve e, quando ama, reclama e sofre. E o poeta ,quando fala, cala, já que da escrita não mais se espera, nem se admira. Apenas mima, a rima.
Escrito em 03.09.2009
Escrito em 03.09.2009
Nostalgia
Enterro nostálgico. A empatia que eu sentia tomava conta do momento e persuadia minhas roupas, meu rosto, e meu olhar. Aquelas lágrimas derramadas por hipocrisia diante de um poço de agonia no qual faltava-se amor.Chorei, chorei muito, pra não comentarem por instantes minha falsidade. Limpava o rosto o mais rápido que conseguia, pra não deixar com que as flores presas às minhas mãos se queimassem com o ódio das lágrimas. Quatro ou cinco pessoas ao meu redor comentavam com pouco entusiasmo e bastante ousadia o quanto amavam aquela mulher. O nó no meu peito embrulhou o estômago e imaginei que vomitaria, ali mesmo, bem em cima do caixão. Um aglomerado de velhos mal vividos e fétidos. Estereótipos de pessoas boas. O homem é mau. Ansiosa, olhava o relógio a cada minuto, esperando que ele se aproximasse do meu ouvido e soprasse um ar de luxúria pra dentro da minha mente. Ele não chegava. O tempo parava. Literalmente chovia. A morta analisava todos os detalhes, com uma visão polilateral, morrendo de inveja de mim, se corroendo por dentro por não ser mais de carne e sexo.Não entedia a razão pela qual ele ainda não havia chegado, por alguns segundos me arrependi de ter cometido o crime. Assassinado a própria mãe. A lógica da vida, da minha vida, é: o melhor de mim pra mim mesma, e eu sou melhor. Danem-se as pseudoexpectativas quanto ao amor. Sou autossuficiente. Mas, ele havia me dominado, de uma maneira ou de outra,e eu estava aflita, o esperando.Já que o encontro seria, mais uma vez, nos enterros nostálgicos de família.
Escrito em 03.09.2009
Escrito em 03.09.2009
Luiza Pereira
E com esse meu jeito desequilibrado, vou desfazendo qualquer hipótese ou calúnia que dizem a meu respeito. Sorrio de lado a lado, sem medo do mal desejado, afinal, eu sou o perigo. Meu olhar tão pouco se importa com o reflexo que a sua inveja causa em mim. Todos os dias em que acordo, procuro ser o melhor que puder, não em busca de um clichê, mas na iminência de uma explosão. Sou fogo na sua cara, ardendo o desejo de me envolver ou de ser o suficiente pra me completar. No entanto, caso ainda não tenha percebido, já me faço completa e não preciso da sua libido. Minha boca anseia o inesperado, e o meu maior fetiche é o desconhecido. Não há surpresa, nem sonhos, nem menina. Meu nome é Luiza. Sou sua sina.
Escrito em 31.08.2009
Escrito em 31.08.2009
Homens de Bens
Em tempos perdidos, dias melhores
num mundo que não me distrai
tento atônita encontrar a lembrança
no olhar da criança que já não tem paz
da vida que ia e vinha
do vinho que se bebia
apenas matou-se a sede da agonia
no frenesi da hipocrisia de quem um dia citou o amor.
e o que os meus olhos estão sentindo
na perplexidade da guerra
de dependência do 'ter'
são menos sorrisos se abrindo
e falta de 'ser' na Terra
Escrito em 22.08.2009
Austrália
Desde de o dia em que te descobri fiquei me perguntando o que eu fazia que não havia me esbarrado por acaso em você. Quais foram os lugares errados que frequentei e os amores não-correspondidos pelos quais sofri sem precisão alguma. Bastou te olhar de longe, ali na sua, que me apeguei de uma maneira inexplicável a você e a como você sabe o que fazer comigo. A dose exata pra me envenenar e me deixar sonhando com o seu corpo colado ao meu. Seu jeito estupidamente grosso e arrogante mexe com a minha sensibillidade e me coloca cada vez mais próxima da sua boca, implorando por um beijo. Talvez seja essa minha mania atordoante de provar pra mim mesma que eu posso te ter e que de uma forma ou de outra você já é meu. Assim como eu sou sua e adoro ser. Você vai embora. Vai se esquecer por instantes que já teve meu cabelo espalhado pelo seu peito. Vai se esquecer por instantes que já teve meu cheiro impregnado no seu quarto e enquanto, incoscientemente, você vai esquecendo dos detalhes sórdidos e irrelevantes, vou me apegando ainda mais a eles e fazendo com que a saudade que tenho reflita em cada lágrima que derramarei. Continuo te esperando e te querendo. Pra ouvir sua voz de homem decidido ao telefone ou para fazer com que sua nuca se arrepie toda ao me beijar. Mesmo indo embora, o que até agora não entrou na minha cabeça, peço pra que seu coração continue batendo ao lembrar de mim e de como a gente se fez bem, mutuamente, mesmo que por pouco tempo. Porque o dia em que você entrar de novo na minha vida, não deixarei que você parta novamente.
Escrito em 27.07.2009
Escrito em 27.07.2009
Talvez
Eu fico me perguntando se você realmente vai estar sempre ao meu lado. Fico imaginando quantos momentos passaremos juntos e por quanto tempo tudo o que eu sinto irá durar. Não sei se você irá segurar a minha mão todas as vezes em que eu estiver prestes a cair ou quando por pura maldade alguém me empurrar. Não sei se você irá me abraçar todas as vezes em que eu tiver medo e me sentir sozinha. Não sei se você limpará meu rosto todas as vezes em que eu chorar. Não sei se você irá entender meu jeito de andar ou minha mania ridícula de falar gesticulando. Não sei se você irá me observar dormindo e cobrir meus pés gelados durante a noite. Não sei se você me dará presentes nas datas comemorativas ou se chegará de surpresa cheio de cartas e fotografias nas mãos. Não sei pra quais lugares irei com você e nem quantas vezes dormiremos na areia das praias. Não sei se você me ligará várias vezes ao dia pra saber como eu estou ou simplesmente pra ouvir minha voz ao telefone e repetir que me ama, incansavelmente. Quantos jantares você me fará? Quantas vezes irei olhá-lo nos olhos e me encantar, inexplicavelmente? Quantos beijos molhados e maravilhosos minha boca experimentará? Você vai estar comigo quando quando o sol nascer e quando a lua brilhar? Você me levará ao cinema e me abraçará durante todos os filmes? Você irá me beijar mesmo quando eu estiver toda suja de sorvete? Até que ponto iremos juntos... Até quando seremos um só? Eu não sei de nada a seu respeito e nem das suas verdadeiras intenções para comigo. Mas, garanto-me de uma coisa apenas, se eu for boba o bastante e me apaixonar por você, o erro maior terá sido seu. Culpado por ter esse sorriso safado e me fazer pensar nessas mil e uma perguntas. A resposta pra todas elas é que não importa o quão confusa você me deixe, eu saberei dominá-lo e fazer tudo do meu jeito. Sem mais perguntas. Apenas aceite o amor.
Escrito em 21.07.2009
Escrito em 21.07.2009
Você, eu, Você
Procuro recompor minhas forças e encontrar a verdade no seu sorriso. Toda vez que imploro pra que você volte saiba que é meu corpo quem está pedindo seu calor junto ao dele. Recordo-me de como fomos intensos e da maneira inusitada que você ia me desfazendo e me envolvendo e fazendo com que minhas pernas tremessem e com que meu coração saísse pela boca. Literalmente. Você foi o meu vulcão em erupção. E o meu corpo fervia junto a você. Você foi a nevasca mais fria. E meu corpo congelava junto a sua indiferença. Você foi a dona da minha paixão. E a sua boca me desafiava a beijá-la, entorpecê-la, e eu me perdia. Fui me perdendo nos seus abraços frenéticos e no cheiro inenarrável da sua nuca. Fui esquecendo de mim mesmo enquanto estávamos juntos. E pra mim, você e eu éramos um só. Me derreti no seu suor e descobri no seu olhar o melhor que posso ver. Você ainda é tudo o que eu quero, tudo o que eu quis e tudo aquilo que acabou com a minha personalidade fétida. Eu me escondi em você e acabei sendo perfeito demais. Sou aquilo que você queria, que você sonhava. Justamente por ser tão igual a você e por preferir seus gostos aos meus, foi que você me deixou. Pra quem sabe assim, me dar a chance de ser outra pessoa, com outras manias e defeitos. Que possa te conquistar com uma identidade única e não por ser um espelho seu.
Escrito em 18.07.2009
Escrito em 18.07.2009
L.B.L
Hoje pela manhã me peguei pensando em como somos loucos e em como temos tudo para não dar certo. Percebi que em geral, todas as nossas conversas foram detalhes e risos jogados fora. Vez ou outra foram lamentações. Há pouco você me insinuou lhe procurar apenas nos momentos de necessidade, quando meu coração chora e não tenho outra pessoa a procurar. Hesitei em concordar. A gente normalmente tem mais de uma escolha, mais de um caminho, mais de uma pessoa, mais de um amor, mais de um amigo, mais de uma história... A gente normalmente tem mais de um caso ao acaso, mais de uma música , mais de um cachorro, mais de um gato, mais de um irmão... A gente normalmente tem uma saída que não seja aquela ou essa outra. Mas como eu não sou normal e como a razão é sempre sua, entendi que em geral, não há outra saída que não seja lhe procurar. O ápice do desejo diante dessa ilusão em que vivemos é o que almejo por todas as promessas que já foram feitas e palavras soltas, desnecessariamente necessárias. A loucura pela qual ainda lhe procuro, além da necessidade óbvia e da falta de opção, é a vontade que tenho de experimentar do seu vinho e encantar sua dança. Não há quem possa julgar o que se sente e nem tão pouco diferenciar. Amor. Paixão. Traição. Medo. Vontade. Não há quem possa limitar situações, impor escolhas, facilitar saídas. Não há quem entenda. A Lágrima. O Sorriso. O Beijo. E foi justamente pensando nessas coisas tolas da vida que entendi, definitivamente, que não tenho outra escolha, a não ser lhe procurar.
Escrito em 08.06.2009
Escrito em 08.06.2009
Mais Um Louco
Queria poder provar como a força interna é única e imensurável. Queria que a timidez fosse extinta do mundo. Os tímidos não se doam, não se entregam. Existem. Queria organizar uma festa na qual todos se levantassem e dançassem e se amassem. Queria que o beijo voltasse a ter valor. Queria fazer com que as pessoas acreditassem no amor. O amor existe. Queria controlar essa vontade humana estúpida de enriquecer. O dinheiro compra casa, compra carro, compra você. Queria que houvesse relações recíprocas. Músicas que falassem menos de sexo e mais de paz. Escolas que instruíssem mais cidadãos que profissionais. Queria famílias capazes de se amarem, pais dominando os filhos pelo olhar. Filhos amando os pais por reconhecimento. Queria acabar com as desculpas. As desculpas fazem-nos mediúcres eternos. Quem pede desculpas não muda. Quem aceita desculpas ignora. A desculpa destrói casamentos, desfaz segredos e esconde a verdade. É uma pena que todos esses meus desejos sejam incontroláveis diante da minha ignorância e da minha fragilidade. Sou apenas um pedacinho minúsculo dentro de um universo inimaginável e surpreendente. Pensamento egoísta nosso de acharmos que podemos destruir o mundo. Somos tão incapazes que não reconhecemos que os problemas ambientais tendem a nos destruir. O mundo fica. Queria gritar a todos os pequenos sonhadores que fama e sucesso são fachadas. A fama nos escraviza e o sucesso nos tira do chão. Nossa ganância incessante nos deixa cada vez mais pobres. Cada vez menos. A felicidade não é encontrada. Felicidade é uma derivação de prazer alcançada através de uma aglomeração mista de sentimentos. Amor, ódio, paz, guerra. Ódio. Amor. Queria ser um pouco mais e ter muito menos e mesmo assim continuar vivendo. Às vezes caio na ingenuidade de não acreditar no fracasso. Uns superam, outros morrem. Não acredito em seleção natural. A tragédia é que ainda não conhecemos o poder de nossas mentes e a incapacidade do nosso corpo.
Escrito em 02.10.2008
Escrito em 02.10.2008
V. De Paula
Eu adoro a maneira como você fala que faria tudo por mim e como meus olhos procuram os seus, mesmo que inconscientemente. Eu me desfaço dessa vontade sempre em que você some. Você precisa cuidar mais de mim e de como meu coração bate quando sente sua presença. Você é meio louco, mas nada que impeça um beijo: um beijo do seu amor cheio de histórias e risos que jogamos fora a cada instante . E a sua indiferença quanto à vontade que sente em me tocar me machuca. Continuo acreditando em cada palavra que me diz e me entristeço por não acreditar em si mesmo. Ainda bem que não tem a consciência de como sua voz poderia me enlouquecer. Sua voz! É ironicamente estranho o fato de eu pensar em você, mesmo sem querer, e de desconhecer meus sentimentos. O coração sente. Os olhos procuram. Cuide mais de mim. Eu estou aqui, com as duas mãos estendidas, então, abrace-me e deixe sua voz pulsar meu coração. O coração sente.
Escrito em 20.08.2008
Escrito em 20.08.2008
Quarto de Hospital
Decidi passar a tarde de olhos abertos. Ficar deitado em uma cama sem conforto algum é inconsolavelmente atordoante. Os meus dois braços estavam machucados por agulhas que levavam soro para todo o meu corpo. Estava sempre atônito e cheio de dúvidas. Por mais que tentasse, não conseguia entender o acidente pelo qual passei. Senti minha cabeça dolorida, embora não pudesse vê-la ou tocá-la.
Escutei o barulho de passos femininos vindo em minha direção. Fechei os olhos por impulso. A enfermeira aproximou-se de mim e, mesmo que a minha vontade fosse de sair correndo dali, não podia fazê-lo. Ela segurou a minha mão e sentiu minha pulsação. Eu senti o perfume, o perfume exótico e levemente adormecente que tomava conta de todo o quarto. Como era bom ter aquela enfermeira por perto! Novamente por impulso, perguntei a causa do meu acidente. Ela continou atenta aos meus batimentos cardíacos e eu continuei fissurado no perfume. Resolvi chegar mais perto dela, para que assim pudesse intensificar o cheiro. Quando menos esperava, minha visão apagou-se e o cheiro foi se afastando gradativamente de mim.
Abri os olhos e a visão voltou como um raio violento. A luz branca e intensa me deixou tonto. Mas percebi que nesse instante, minha mão segurava o mouse do meu velho laptop. Lembrei-me do jogo que deixei aberto por uma questão de segundos, apenas para saciar minha sede. Aquela era a minha vida e a minha maneira de conquistar as vitórias mais excêntricas possíveis. Meu nome é Paulo. Meus cabelos são castanhos e o meu corpo é todo trabalhado. Adoro malhar e conhecer novas pessoas. Moro em uma mansão de aproximadamente um milhão de dólares e nesse momento estou numa cama de hospital respirando o odor eloquente de uma enfermeira.
Sinto os olhos escurecerem. Vejo estrelas. Estou estatizado frente ao computador, sentindo todas as dores do meu acidente. 'Como a mão da enfermeira é macia!' Ouvi alguém gritar-me:
--- Marcos o jantar está na mesa.
Levantei-me. Os aparelhos do hospital fizeram um barulho muito alto. A enfermeira foi desmanchando-se rapidamente. O perfume perdeu a essência . O Paulo morreu.
Escrito em 20.08.2008
Escutei o barulho de passos femininos vindo em minha direção. Fechei os olhos por impulso. A enfermeira aproximou-se de mim e, mesmo que a minha vontade fosse de sair correndo dali, não podia fazê-lo. Ela segurou a minha mão e sentiu minha pulsação. Eu senti o perfume, o perfume exótico e levemente adormecente que tomava conta de todo o quarto. Como era bom ter aquela enfermeira por perto! Novamente por impulso, perguntei a causa do meu acidente. Ela continou atenta aos meus batimentos cardíacos e eu continuei fissurado no perfume. Resolvi chegar mais perto dela, para que assim pudesse intensificar o cheiro. Quando menos esperava, minha visão apagou-se e o cheiro foi se afastando gradativamente de mim.
Abri os olhos e a visão voltou como um raio violento. A luz branca e intensa me deixou tonto. Mas percebi que nesse instante, minha mão segurava o mouse do meu velho laptop. Lembrei-me do jogo que deixei aberto por uma questão de segundos, apenas para saciar minha sede. Aquela era a minha vida e a minha maneira de conquistar as vitórias mais excêntricas possíveis. Meu nome é Paulo. Meus cabelos são castanhos e o meu corpo é todo trabalhado. Adoro malhar e conhecer novas pessoas. Moro em uma mansão de aproximadamente um milhão de dólares e nesse momento estou numa cama de hospital respirando o odor eloquente de uma enfermeira.
Sinto os olhos escurecerem. Vejo estrelas. Estou estatizado frente ao computador, sentindo todas as dores do meu acidente. 'Como a mão da enfermeira é macia!' Ouvi alguém gritar-me:
--- Marcos o jantar está na mesa.
Levantei-me. Os aparelhos do hospital fizeram um barulho muito alto. A enfermeira foi desmanchando-se rapidamente. O perfume perdeu a essência . O Paulo morreu.
Escrito em 20.08.2008
Ontem, hoje. Amanhã, talvez.
Fomos para o térreo. Ficamos cerca de 14 segundos dentro do elevador. Estatizados. Minha mão suava frio e o olhar dele desviava-se do meu. Já que ele não o fazia, toquei sua mão. Nos beijamos. No elevador. Certas vezes lembro-me de como era cética a tudo aquilo que se referia ao amor. Sempre acreditei que amor fosse sinônimo de convivência. Tempo. Elevador. Desde os meus onze anos de idade aprendi a olhá-lo nos olhos. Aprendi a tocá-lo com a mente. Fiz com que ele sentisse meu coração quase saindo pela boca à medida que me beijava. Me deixando louca. Claro que quanto mais os dias se passavam, maior era a saudade, maior era a doença, maior era a paixão. Décimo Quinto Andar. Quando estava ao seu lado perdia qualquer medo, inventava qualquer história, contava-lhe qualquer segredo. Sempre madura. Sempre imaturo. Meu homem me fazendo criança. Me deixando lembranças das quais sou incapaz ignorar. No primeiro mês tínhamos um caso incompreendido e não abençoado. Muito nova. Muito novo. Muito vizinhos. Muita conversa alheia entrando onde não deve, saindo sem pedir permissão. Namorávamos sim. Se namoro for manter um relacionamento instável e perigoso, com certeza namorávamos. Com a consciência e a visibilidade de todos os porteiros e de todos os diversos síndicos ali presentes. Ele me persuadia. Me fazia o que queria. Me mordia. Me amava. Me enlouquecia. Enfatizo a loucura e oculto o perigo. Cresci em tal situação. Ele me apresentou um sentimento muito maior e mais verdadeiro do que a maioria das pessoas falsas e hipócritas conhecem. A gente se amava. Independente do dia, da hora ou de quem estava próximo. O amor sempre foi nosso e não se desfez com o passar do tempo, com o esvaziar das palavras ou com o barulho atordoante do silêncio. Nosso amor, se é que amor seja a palavra ideal, acontecia sempre que nos achávamos. Que nos beijámos. Que o sentíamos. Ele é o homem da minha vida. Décimo Quinto Andar. Tantas vezes o vi de bermuda. Quantas vezes o percebi sério, querendo me impressionar. Nós não somos tendência. Não somos paixão passageira e muito menos o clichê substituível. Não importa quantas pessoas apareçam em nossas vidas, temos uma marca que apenas nós reconhecemos e que somente nós podemos amar. Ele criou algo muito mais intenso que amor. Me invadiu. Me dominou. Décimo Quinto Andar. Sempre tive duas opções : escada e elevador. Sozinha prefiro a escada. Nós dois somos elevador. Cheios de graça e histórias. Idas e vindas sem pausa na trajetória. Às vezes travamos. SEMPRE voltamos a funcionar. Atração. Desejo. Amor. Paixão. Décimo Quinto Andar.
Escrito em 10.09.2008
Escrito em 10.09.2008
O Seu
Você é o meu quando. Em todos os momentos em que penso, penso em você. Em cada palavra que digo. Em cada música que escuto. Em cada site que navego. Em cada delícia que saboreio. Em cada lugar que frequento. Você é meu até. Estaria ao seu lado mesmo que o mundo acabasse. Mesmo que o tempo parasse. Mesmo que para sentir o seu cheiro de perto precisasse perder todos os amigos e todos os nomes. Você foi o meu ontem. Lembro-me de como é incomparável o gosto da sua boca e de como a minha respiração ofegava enquanto te beijava. Enquanto te amava.Você foi. Você é o meu agora. Eu não páro de abrir a geladeira. Morro de ansiedade a cada segundo em que me perco sem você. Não consigo me concentrar nas conversas alheias e muito menos na multidão que acredita que o amor pode dar certo. Eu não entendo, apenas concordo. Concordo por você existir e por amá-la de tal maneira que espero reciprocidade. Quero ser metade do que você é pra mim. E, sendo assim, terei certeza de que seu amor por mim é realmente IMENSO. Quero desfazer seu medo, abafar seu pranto, acalmar seu coração. Quero o toque. Quero o carinho. Quero o retoque do meu caminho ao vê-la passar. Quero desprender seu cabelo toda vez em que ele se enrolar atrás das orelhas. Quero inventar. Inventar palavras. Inventar um sabor de sorvete único e seu. Quero dançar com você até as pernas ficarem bambas. Por isso ou por vários outros motivos. Quero me tremer por inteira durante toda nossa relação. Preciso acabar com essa nostalgia que chamo de vida. Vida é você. O instante. O ínfimo. O brilho dos seus olhos. Quem me dera se pudesse dominá-los e direcioná-los para me perceberem. Tente me notar. Sou o que procura. Sou o que escolher. Me transformo. Sou todo seu. Cada partícula do meu corpo foi feita para você. Inconsequentemente, nasci para que me amasse, para que me conhecesse e se fizesse um pouco de mim. O todo. Minha mente, meu corpo e meu coração.
Escrito em 03.09.2008
Escrito em 03.09.2008
Regras Gramaticais
Entendi o grande problema dos anestesiados: a falta de pontuação. A nostálgica vida mal vivida nos corrompe simplesmente pela falta de pontuação. Quem me dera se eu fosse a mestre da norma culta e conhecesse todos os detalhes machadianos. O segredo para o fim da eloquência não desejada está num inesperado ponto final. Se a cada caminhada sem rumo colocássemos um ponto... Como as coisas seriam mais fáceis e visíveis. Cito, por exemplo, o imenso significado de termos a presença de um ponto de interrogação em frente ao espelho. Penso em quão melhores seríamos caso houvesse um ponto de interrogação adesivado em nossas testas. As pessoas se conheceriam mais e entenderiam que não há como ter um caso de amor ou um relacionamento produtivo sem antes ter um romance com a própria vida. É intrigante como os olhares jovens estão cada vez mais fétidos e distantes. Fico atônita ao estar tão próxima de futuros suicidas que desconhecem a maravilha do mundo, sempre tão alienados em seus respectivos microcosmos. O ponto de exclamação refletido no olhar de cada criança, jovem, adulto ou idoso faria toda a essência final. O mundo só precisa de menos conformismo e mais audácia, mais coragem, mais exclamação e, consequentemente, mais interrogação. Precisamos de pessoas que planejem em vez de desejar, que lutem ao invés de esperar. Precisamos de parênteses em todas as nossas atitudes. Parênteses estes que enfatizarão os nossos amores, nossos reais objetivos e os nossos projetos possíveis e alcançáveis. Vou dar um basta nas palavras difíceis e em textos relativamente chatos (como este aqui). Percebi que a grande falta da minha vida é a vírgula. Tudo de que preciso é uma vírgula para ocultar meus problemas passados e dar continuação à minha incompreensível e surpreendente peça de teatro. Só quero uma folha de papel e um lápis bem apontado. Estou pronta para criar minha história. Não há destino que impeça a força de liberdade de um sonhador. Não vendam seus sonhos!
Escrito em 02.09.2008
Escrito em 02.09.2008
Minuto
No instante em que eu a vi.
No instante em que chorei.
No instante em que vivi.
No instante em que amei.
No frio da chuva seca,
No quente do seu querer,
Na pele suada e tensa,
Na rotina do seu viver.
Eu quis ser o todo. Eu quis ser o tudo. Eu existi. Eu resisti. Eu tentei. Eu perdi.
No instante o que disse não,
Foi quando pude correr.
O instante em que a vi, então
Chorar por me ver morrer.
Escrito em 31.08.2008
No instante em que chorei.
No instante em que vivi.
No instante em que amei.
No frio da chuva seca,
No quente do seu querer,
Na pele suada e tensa,
Na rotina do seu viver.
Eu quis ser o todo. Eu quis ser o tudo. Eu existi. Eu resisti. Eu tentei. Eu perdi.
No instante o que disse não,
Foi quando pude correr.
O instante em que a vi, então
Chorar por me ver morrer.
Escrito em 31.08.2008
Dó
O meu coração acelerado me fazia transpirar com rapidez. Sempre mais. Molhando. Tumultuando toda a minha pele com gotículas de calor. Calor. Nos meus olhos a pupila dilatada, vibrante e esperançosa, acreditando na verdade de tudo o que acontecia. Acreditando na verdade do amor. Eu tão menina, tão inocente... Naquele instante, me decidia. Me descobria. Perdia-me em mim mesma. Descobri o número ideal pra minha rotina. Entendi o segredo do meu nome. Fiz uma média geral de como me comporto em público, em casa, sozinha. Sou minha inimiga. Inimiga íntima e traiçoeira. O barulho penetrando nos meus ouvidos. Os tons sendo emitidos a cada partícula do meu corpo. Acontecia muito rápido. Meu corpo entendia o recado. Se movimentava. Penetrava. Compenetrava. Amava. Adormecia. Sonhava. Eu estava dopada, perdida. Sonhando. O mundo idealizado pelo toque, pelo ritmo. Eu era a autora. Eu era a atriz. Eu era a letra. Eu era a música. Eu era dona. Eu era um filme de memórias jamais esquecidas. Um vídeo cheio de doenças, crenças, personagens, risos, choros. Um vídeo melhor que o possível. O vídeo do impossível. O vídeo que apenas eu entenderia. Apenas eu seria capaz de escrever, editar, reeditar. Decorar! Minha pele se arrepiava. Pude ver todos os pêlos levantando-se com vontade de escapar. Quis pular, Pulei. Quis dançar, dancei. Dança de salão, sozinha, a dois. Amei, me amei, me senti. O meu momento romântico comigo mesma. Tirei meus óculos. Rasguei meus papéis. Pintei a parede do meu quarto de batom. Bordei todos os meus lençóis ainda feridos. Subi na cama. Adorei ter comprado aquele colchão macio. Não me arrependi de nada. Nada melhor do que não pensar por alguns momentos. Nada melhor do que poder pensar. Acabou. O coração voltou a pulsar no ritmo correto. O suor das mãos havia secado. A música roubou-me o tempo. Desliguei o som e fui direto para o trabalho. Permitam-me existir.
Escrito em 20.08.2008
Escrito em 20.08.2008
Reflexos de uma vida
Comecei a analisar todos os detalhes. Eu estava parada, perplexa, irremediável e inconsolavelmente pasmada. Tentava me aproximar da imagem. Percebi como aquele rosto havia mudado. Entendi que não mentiam ao afirmar que o tempo não pára. Há séculos não me prendia diante de alguém. O olhar vencido, perdido e deixado em algum lugar. Olhar de quem viveu pouco e desistiu. O mesmo olhar de quem viveu tudo e persistiu. Aquele olhar me chamava a atenção, me fazia ter vontade de chorar. Vontade de morrer. Vontade de viver um pouco mais bem vivido. Vontade de fazer bem feito. Vontade de errar. Errar, errar e aprender. Errar e fazer de novo, caprichado, contornado. Com direito a todos os desenhos e todas as legendas. Parei de focalizar o olhar e me peguei no sorriso. O sorriso completava o olhar. O olhar era o pai, o sorriso o filho. O sorriso era o perímetro, o olhar , a dimensão. O sorriso brilhava. Se fechava. Se abria. Os lábios o faziam movimentar. Movimento uniforme. Sorriso planejado e efêmero. A pele já gasta. Preocupada. Tensa. Sem proteção. Comecei a sentir uma certa fobia, comecei a me arrepender de ter estado ali por aqueles instantes. Me curvei. Deixei o espelho e ao lado dele todas as minhas marcas podres e incuráveis.
Não tenho imagem e não acredito em reputação. Hoje sou eu mesma, sem sombra e sem dúvidas. Os defeitos antigos foram jogados fora ou simplesmente arrastados pelo vento mágico de um tempo sem piedade.
Não, o tempo não pára.
Escrito em 20.08.2008
Não tenho imagem e não acredito em reputação. Hoje sou eu mesma, sem sombra e sem dúvidas. Os defeitos antigos foram jogados fora ou simplesmente arrastados pelo vento mágico de um tempo sem piedade.
Não, o tempo não pára.
Escrito em 20.08.2008
Menina
Hoje cedo, parei tudo o que estava fazendo pra te observar um pouco mais. Como você é linda.
Menina, seu sorriso é perfeito demais para ser falso e me impulsiona a tomar atitudes loucas e animalescas, despertando em mim um desejo incessante de te beijar.
Menina, seu cabelo jogado no rosto, tantas vezes me deixando louco. Sou como um homem que busca a luz do seu olhar.
Menina, seu jeito meigo de ser tão hipócrita e intencional. Você é muito mais mulher que parece menina, você é meu lado irreal.
Eu fico olhando a maneira como você se movimenta, tão calma, tão lenta... Me fazendo delirar.
Menina, seu rosto me fantasia, sua voz me ganha o dia e eu me pego a te amar.
Menina, seu corpo todo é moldado, seu olhar bem planejado me fazendo te olhar. E eu me pego de novo, mesmo que estando longe, procurando o seu perfume, seu cheiro pairando no ar.
Menina, você é muito envolvente, tão enlouquecente. Loucura seria negar.
Tantas outras mulheres, tantas outras garotas e alguém como você não há. Tentei ser poeta, tentei ser profeta, tentei ser melhor, tentei ser amante. Por você eu me faria muito mais homem, menina, muito mais louco, muito mais irrelevante. Menina , não posso mais escrever tudo aquilo que vejo em você. Sou como um menino, bobo, sem rumo. Tentando te impressionar. Na próxima vez , olhe pra mim. Mesmo que eu não mereça, mesmo que não pareça, minha menina. O meu prazer é te amar.
Escrito em 19.08.2008
Menina, seu sorriso é perfeito demais para ser falso e me impulsiona a tomar atitudes loucas e animalescas, despertando em mim um desejo incessante de te beijar.
Menina, seu cabelo jogado no rosto, tantas vezes me deixando louco. Sou como um homem que busca a luz do seu olhar.
Menina, seu jeito meigo de ser tão hipócrita e intencional. Você é muito mais mulher que parece menina, você é meu lado irreal.
Eu fico olhando a maneira como você se movimenta, tão calma, tão lenta... Me fazendo delirar.
Menina, seu rosto me fantasia, sua voz me ganha o dia e eu me pego a te amar.
Menina, seu corpo todo é moldado, seu olhar bem planejado me fazendo te olhar. E eu me pego de novo, mesmo que estando longe, procurando o seu perfume, seu cheiro pairando no ar.
Menina, você é muito envolvente, tão enlouquecente. Loucura seria negar.
Tantas outras mulheres, tantas outras garotas e alguém como você não há. Tentei ser poeta, tentei ser profeta, tentei ser melhor, tentei ser amante. Por você eu me faria muito mais homem, menina, muito mais louco, muito mais irrelevante. Menina , não posso mais escrever tudo aquilo que vejo em você. Sou como um menino, bobo, sem rumo. Tentando te impressionar. Na próxima vez , olhe pra mim. Mesmo que eu não mereça, mesmo que não pareça, minha menina. O meu prazer é te amar.
Escrito em 19.08.2008
Quase
Quando te conheci descobri que posso ser melhor.
Conheci meu lado mulher, meu lado amor.
Pude entender o quão idiota eu fui por não ter te amado antes,
Por não ter te amado sempre.
Sei com tudo aquilo que aprendi e com todas as forças que existem nesse mundo físico e redundante o quanto é insuficiente dizer te amo todos os dias. Respiro te amo. Me faço você.
Estando ao seu lado me esquivei dos medos e me aproximei dos desejos. Foi deixando que você me fizesse que eu te fiz e te entendi. E te amei. Analisando o contorno da sua boca, cada detalhe, cada movimento.
Arrepios incessantes e perigosos se formavam em mim a todo instante que tive você por perto. Você não é meu. Apenas te quero. Ainda te amo.
Escrito em 18.08.2008
Conheci meu lado mulher, meu lado amor.
Pude entender o quão idiota eu fui por não ter te amado antes,
Por não ter te amado sempre.
Sei com tudo aquilo que aprendi e com todas as forças que existem nesse mundo físico e redundante o quanto é insuficiente dizer te amo todos os dias. Respiro te amo. Me faço você.
Estando ao seu lado me esquivei dos medos e me aproximei dos desejos. Foi deixando que você me fizesse que eu te fiz e te entendi. E te amei. Analisando o contorno da sua boca, cada detalhe, cada movimento.
Arrepios incessantes e perigosos se formavam em mim a todo instante que tive você por perto. Você não é meu. Apenas te quero. Ainda te amo.
Escrito em 18.08.2008
Sinto
O pouco que tenho me falta.
O tanto que quero me mata.
A verdade que digo é escondida, transformada.
Minha mentira é amar.
Amor que não vale nada.
Meus olhos podem ainda ver
De longe a maneira como você se faz:
sempre comigo, driblando, mentindo.
Mentira que não se desfaz.
O pouco que quero é você.
A falta que sinto é sua,
Não entendo como posso ser,
tão errada a nada , nos seus braços, nua.
Escrito em 17.08.2008
O tanto que quero me mata.
A verdade que digo é escondida, transformada.
Minha mentira é amar.
Amor que não vale nada.
Meus olhos podem ainda ver
De longe a maneira como você se faz:
sempre comigo, driblando, mentindo.
Mentira que não se desfaz.
O pouco que quero é você.
A falta que sinto é sua,
Não entendo como posso ser,
tão errada a nada , nos seus braços, nua.
Escrito em 17.08.2008
Rio de Janeiro
Antes de te conhecer eu não acreditava em mais nada. Não acreditava em quase nada. Antes de te olhar nos olhos não tinha observado o quanto o meu sorriso fica bonito refletido no olhar de alguém. Eu sempre pensei que as coisas que tivessem de acontecer comigo já tivessem acontecido. Não esperava amar outra pessoa e nem ao menos me sentir metade de alguém. Pra falar a verdade, sem tons sarcásticos, sempre fui uma mulher decidida e preparada pra tudo. Menos pra você. Conhecimento não me falta e no entanto percebi que antes de te conhecer me faltava amor. Me faltava gosto de beijo na boca. Agora que somos um só eu posso dizer que juntos somos o sono bem aproveitado. Juntos somos o complemento dos nossos lábios e o retoque final dos nossos sorrisos. Posso gritar que nosso amor é a história sem fim e sem início. Foi te descobrindo que eu me descobri. Foi junto de você que entendi aquele vazio que me fez tão mal e foi por estar junto de você que esse vazio foi preenchido. Juntos, nós somos muito mais que uma metade. Somos o inteiro, somos nosso mundo, somos a razão e somos o sentimento. Nós somos o paradoxo do sim e do não. Somos as crenças de fé inabalável. Somos o segredo da juventude. Somos a prova de que aquilo que tem tudo pra dar errado também tem tudo pra dar certo. Somos a sorte. Você é meu um por cento de chance. Você é meu cem por cento de vida. A cada instante, a cada centésimo de segundo eu respiro você. É inconsciente, controverso e gradativo. Amor, amor, é só um . Amor eu só sinto por você. Talvez se nós não tivéssemos nos esbarrado não tão por acaso, não seríamos tão intensos e tão nossos. Sou sua a partir do momento em que te deixei envolver seus braços sobre o meu corpo. Sou sua desde o dia em que você me pediu em namoro não se importando com o percentual tão elevado de como nosso amor não iria dar certo. Deu certo. Sou sua por saber que ninguém além de você me conhece tanto em tão pouco tempo. Sou sua por acreditar que tempo e distância são detalhes. E os detalhes somos nós quem criamos. Sou sua por ter a certeza de que vce vai me esperar. Aconteça o que for. Passe o tempo que passar. Não, você não é meu clichê. Você é meu lado diferente, minha parte desconhecida. Você é meu novo detalhe mais complexo. Eu acredito que nós seremos a prova de que não importa o quão seja a vontade alheia de destruir, o que sentimos um pelo outro, é assim, vertiginosamente indestrutível. Somos saudade. Se eu pudesse estar com você todos os dias teria mais de mim ainda. Seria completa por demais. Não me cansaria. Morreria de satisfação e de prazer. Eu acredito, depois de ter te conhecido, que todos os obstáculos que enfrentamos, são as provas concretas de que fomos feitos pra nos amar. Eu te quero. Te espero. Te amo. Você é meu. Tão meu que posso sentir o toque suave das suas mãos mesmo estando do outro lado do mundo. Afinal, o mundo é a gente.
Escrito em 17.08.2008
Escrito em 17.08.2008
A Coisa
Sou uma pessoa bastante sociável, altamente comunicativa e posso dizer que caso escrevesse um livro ele seria aprovado. No meu trabalho me chamam de senhora. Em casa sou mãe. Na cama sou mulher. Não tenho medo do novo e não evito arriscar. Superstições já fizeram parte do meu cotidiano e, no entanto, hoje sou cética quanto às coisas do mundo. Tenho um amigo que se difere dos demais. Talvez pudesse dizer que faça parte da minha mão, como uma extensão que me faz melhor, mesmo que utopicamente. Juntos, nós fazemos o inacreditável. Eu preciso dele sempre. Tento acreditar que ele também não conseguiria existir sem que minhas mãos segurassem-no. Com firmeza. Com certeza. Como se ele não pudesse cair e muito menos se machucar. Em alguns momentos, é o meu topo. Idealização. Ele passa a ser meu arquétipo, arquétipo de vida. Meu fetiche. Sinto que já me dominou. Eu o escolhi e ele aceitou. Fazendo-se o encaixe perfeito, na palma da minha mão. Nós somos amigos há quase três meses . Tão pouco e me pego tão alienada. Vibro quando chama a mim. Por impulso, eu o seguro e o faço presente em meus próximos cinqüenta minutos.
Mundo pequeno e capitalista em que as coisas recebem valores humanos e nós somos coisificados.
Escrito em 15.08.2008
Mundo pequeno e capitalista em que as coisas recebem valores humanos e nós somos coisificados.
Escrito em 15.08.2008
Amanheça
Subestimei minha capacidade desde quando não faço nada além de dormir. Dormi. Dormi no período da manhã, na sala de aula mesmo. Dormi no período da tarde. A tarde inteira. Dormi toda a noite. Dormi. Quanto mais dormi, mais perdi a vontade de acordar. O pior disso é que me acho no direito de dormir todos os dias. O dia todo se preciso for. Eu tenho escolhas. A minha escolha maior é dormir. Talvez deveria estudar um pouco mais. Talvez pudesse realizar minhas atividades com mais capricho e cautela. Mas não tenho tempo. Meu tempo é sono. Meu sono é todo o meu tempo. Dormir. A minha vida não tem sido muito aproveitada, afinal estou inconsciente quase o dia inteiro. Dizem que dormir faz bem. Concordo. Dormi. Quando estava dormindo meus pais se separaram. Quando estava dormindo meus amigos mudaram e eu nem percebi. Quando estava dormindo os meus parentes mais velhos se foram. Quando estava dormindo a minha irmã se formou. Quando estava dormindo perdi meu vestibular. Dormindo, fiz uma falculdade mal feita. E perdi o tempo de dormir. Quando meu filho nasceu eu estava dormindo e nao consegui observar os dedinhos da mão e do pé e nem ao menos a graça do seu sorriso. Fui perdendo todos que tinha e tudo também. Continuei dormindo. Quando perdi o sono, perdi a vida. Quem sabe como teria sido se ao invés de dormir tivesse ficado bem acordado. VIVO. Sendo o sujeito da minha vida e podendo ouvir todas as reclamações. Superado todas as frustrações. Encarado todos os meus inimigos. Dormido, dormido sim. No tempo certo. Sendo o agente e não uma partícula apassivadora do mundo do sono.
Escrito em 13.08.2008
Escrito em 13.08.2008
Quando Eu Me Afasto de Você
Hoje eu acordei diferente. Acordei com vontade de fazer tudo aquilo que deixei de fazer por falta de tempo. Desliguei todos os meus aparelhos eletrônicos. Deixei meu carro ainda estacionado na garagem e peguei minha velha bicicleta. A tinta desbotando. Pensei em colocar um tênis e no entanto percebi que a ocasião me pedia pra estar com os pés no chão. Desequilibrado subi na bicicleta e comecei a pedalar sem rumo. O sol escaldante batia no meu rosto e me tirava a visão. Eu então quis sorrir, para disfarçar o quão angustiado estava. Tudo o que eu queria naquele momento era um relógio de bolso. Continuei a pedalar. Agora já nem sentia os pés. Descobri casas que jamais havia visto por ali. Crianças suadas e correndo nas ruas. Meus ouvidos gravavam os gritos e os choros. Senti vontade de sentar em algum lugar no qual eu pudesse escrever uma carta para uma pessoa realmente especial. Especial. Acho que tinha anos que eu não pronunciava essa palavra. Tudo é relativo quando o assunto é amor. Seja ele de quaisquer tipos e tempos. Sentei. Aliviei meus dedos anestesiados com o quente dos pedais. Procurei algo que reproduzisse letras e tudo que encontrei foram pedras. Pensei em usá-las. Comecei a rasgar as pedras na calçada daquela praça. Não medi o tamanho e muito menos a aparência das letras. Apenas risquei. Quanto mais riscava, maior era a vontade de riscar. Quis escrever um livro naquele chão. Lá estava mais da minha vida que na minha própria casa. Os meus dedos me traíram e começaram a me fazer lembrar de coisas que segundo meu eu lírico já haviam sido apagadas. Pensamento engocêntrico e irracional. O especial não se apaga. Levantei satisfeito com os trechos riscados.
' Eu queria ter dito que te amo ontem. Queria ter te abraçado com toda a minha força e ter te segurado nos meus braços para te proteger. Queria ter chorado na sua frente todas as vezes em que me fiz de forte. Queria ter te mostrado que você é o meu apoio. E a minha força vem do brilho dos seus olhos realçando o seu sorriso. Se ontem fosse hoje, te beijaria enlouquecidadamente e não te deixaria escapar de mim. Hoje eu acordei diferente e nesse instante prometo que durante todo o resto da minha vida, acordarei diferente. Finalmente viverei sem essa dependência do tempo, do trabalho e do dinheiro. Vou doar tudo que tenho. Pegarei minha bicicleta e contornarei o mundo gritando para todos os tolos que a lógica da vida está naqueles que acordam diferentes. Com os olhos pro que há de mais belo neste nosso paraíso interno. LIBERDADE.'
E aí tudo muda, penso em você e eu.
Escrito em 09.08.2008
' Eu queria ter dito que te amo ontem. Queria ter te abraçado com toda a minha força e ter te segurado nos meus braços para te proteger. Queria ter chorado na sua frente todas as vezes em que me fiz de forte. Queria ter te mostrado que você é o meu apoio. E a minha força vem do brilho dos seus olhos realçando o seu sorriso. Se ontem fosse hoje, te beijaria enlouquecidadamente e não te deixaria escapar de mim. Hoje eu acordei diferente e nesse instante prometo que durante todo o resto da minha vida, acordarei diferente. Finalmente viverei sem essa dependência do tempo, do trabalho e do dinheiro. Vou doar tudo que tenho. Pegarei minha bicicleta e contornarei o mundo gritando para todos os tolos que a lógica da vida está naqueles que acordam diferentes. Com os olhos pro que há de mais belo neste nosso paraíso interno. LIBERDADE.'
E aí tudo muda, penso em você e eu.
Escrito em 09.08.2008
Um ano e alguns meses
Eu me pego pensando em como deve ser difícil para você acreditar que eu te amo. Te amo tanto. Em como eu devo fazer as coisas erradas e inúteis sempre deixando uma opinião intrigante ou inversa a você. Se eu dissesse que realmente você faz toda a diferença pra mim tenho a certeza de que você me olharia nos olhos e me faria a namorada mais clichê possível. Todos a minha volta percebem o quanto eu sou sua. Sempre. O quanto vivo por você desde que nós namoramos. Não estou me queixando e nem quero que isso mude. Sou feliz assim. Eu te amo. Nesse ano de relacionamento pedi tão pouco. Peço apenas reconhecimento. Reconhecimento merecível. O engraçado é que quanto mais você me tem, mais quer de mim. Eu já me doei. Por inteiro. Por completo. Se pudesse te deixaria ler meus pensamentos, com cada vírgula, cada ponto , cada erro e cada ênfase. Não tenho segredos. Nao me escondo de você. Não há como me conhecer melhor. A gente se entende. Apesar de não parecer pra ninguém. A gente se entende. Porque quando você chega e abre a porta da minha casa eu sei que vai ficar tudo bem. A gente se entende porque qualquer um diria e o pior é que dizem na minha cara como deve ser chato ter um namorado o qual você fica por perto todos os segundos. O problema é que eles não entendem que a gente se completa. Enjoar de você seria o mesmo que enjoar de mim. Somos uma caixinha cheia de lembranças, beijos e brigas. Ah. As brigas. São necessárias. Concordo plenamente. O meu único medo é de que elas cansem o que temos. Brigamos tanto por nada. Se o motivo fosse falta de confiança não seríamos tão nossos, tão amantes. Tão metades. Eu posso ficar com mil. O que faz a diferença é você. A gota de orvalho que faltava pro meu jardim brotar. Minha chuva e meu sol. Sou criança demais pra me expressar. Criança demais pra me calar. Sou tão criança que não páro de pensar em você. Não desgrude de mim. Continue me ligando dez vezes ao dia. Vamos brigar sempre que necessário. Vamos ser o pouco, o bastante, o demais. Não importa como. O importante é sermos.
Escrito em 04.08.2008
Escrito em 04.08.2008
Nossa peça
Chega a ser bobo o quão ridículos somos. Todos manipuláveis e covardes. Escravos do tempo e da sociedade. Sem personalidade própria e sem sorriso que não seja comprado. Assunto chato esse não é? Quantos de vocês falam de aborto, corrupção e catástrofes numa roda de amigos? Confesso que nem eu costumo conversar sobre isso. Quantos falam de Deus ou em crenças religiosas com o namorado? Perda de tempo. A questão é que essa oração varia de pessoa pra pessoa. Perda de tempo é beber pra passar mal. Perda de tempo é começar a usar drogas aos 15 anos ou em outras etapas quaisquer da vida . Perda de tempo são as brigas sem motivos e tantas vezes irrelevantes que acabam tirando a vida de inocentes. Perda de tempo é estudarmos nos melhores colégios e mesmo assim não atingirmos a meta de notas. Perda de tempo é sempre fingir que está tudo bem quando a nossa vontade é sair correndo desse nosso mundo hipócrita. Hipócritas somos nós. Que nos calamos diante de tudo. Ora, deixemos que os outros façam a nossa parte. Prefiro ser espectador em uma peça de teatro que ser protagonista. O protagonista tem uma função que exige responsabilidade e compromisso, enquanto eu não passo de um observador com direito a críticas sendo estas necessárias ou não. O grande porém é que apenas o protagonista é lembrado. Apenas o protagonista é aplaudido. Apenas o protagonista deixa uma marca, uma história, uma moral. As nossas escolhas vão nos mostrando e nos fazendo a cada dia e a cada oportunidade que recebemos. Somos moldados pelo mundo assim como barro é moldado por nós. A escolha é sua. Você prefere opinar e se manter sentado analisando como a sua vida desmorona-se ou quer dar lugar ao protagonista cheio de textos decorados e bem escritos que há em você? É tudo uma questão de opinião pessoal.
Escrito em 04.08.2008
Escrito em 04.08.2008
Coisas da Vida
Eu me lembro que certa vez estava na fila de um banco com o propósito de sacar uma quantia 'A' de dinheiro. Atrás de mim havia um jovem que carregava aproximadamente seus 20 anos. Ele tinha o olhar impaciente e desajeitado. Com certeza era o estereótipo de um garoto ansioso e preocupado com os mil e um padrões exigidos pela sociedade. Quem sabe ele nem ao menos trabalhava ou estudava para se encontrar nesse estado psicologicamente afetado. O celular do garoto tocou umas duas vezes sem que ele atendesse. Na terceira tentativa foi vencido pelo cansaço e eu pude ouvir um 'alô' bastante irritado. Pelo que entendi era a sua mãe que estava o esperando em casa. Por ser um sábado imaginei que estivesse acontecendo algum tipo de reunião ou almoço de família na casa da mãe. Realmente o jovenzinho era muito nervoso. A cada três minutos olhava para o relógio procurando um tempo que na minha opinião não seria cronológico. Algo naquele rosto jovem me chamou bastante a atenção. Faltava algum detalhe. Alguma marca. Faltava uma saudade de infância . Ele era incrédulo e calado. Num mundo tão dele que se o tal possuísse certas manias poderia afirmar seu autismo notável. Uma vez que o pseudo autista tentou desistir da fila afirmando em voz alta que não tinha tempo o suficiente para a demora, uma gerente do banco o chamou pelo sobrenome e pediu paciência. Um senhor que se encontrava no fim da fila começou a chorar descontroladamente. Se deslocou de onde estava para perto do rapaz e o abraçou. Todos presentes no banco , assim como eu, se assustaram e não entenderam nada do que estava acontecendo. Aquele senhor era o pai do garoto. Ele abandonou o país há aproximadamente 20 anos a fim de melhorar sua situação financeira. Infelizmente o velho foi descoberto sem passaporte e tudo mais e foi mandado de volta para o Brasil. Sem nenhum dinheiro e sem meios de comunicação, passou os anos em São Paulo e só agora retornava para Goiânia com a notícia de que foi o premiado e ganhou uma viagem para o exterior num concurso que ele havia participado. Inacreditável não? Se o tal garoto fosse embora devido a sua ansiedade generalizada ele deixaria de conhecer o pai e de viajar para os Estados Unidos, onde mais tarde ganharia uma bolsa de estudos em Harvard. A paciência é TUDO. Mesmo que você não tenha, finja ter. Sinceramente? Não acredito em coincidências. Nossa vida é como um trem e o trilho. Caso não haja trilho, posteriormente não haverá o trem.
*História Verídica
Escrito em 01.08.2008
*História Verídica
Escrito em 01.08.2008
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