Enquanto
Nada jamais saciou minha
vontade de escrever, e algumas pessoas inspiram-me a continuar. Você desperta
um anseio incessante de tornar possível a transformação de palavras em tudo
que seja palpável. Resolvi constar por aqui (sempre), em vez de deixar essa (incansável) vontade
à míngua do silêncio e, assim, preencher o vão que há entre uma palavra e
outra. Pego-me diante da linha tênue do que é e do que de repente será. Desmancho-me
com a expectativa da ternura que são os esforços para encostar o meu sorriso no
seu, para sentir o afeto estonteante do seu cheiro em mim e derreter-me no calor da euforia da sua
risada dando sonoridade a cada poro do meu corpo. Talvez, então, alcançar o seu
mundo só pra trazê-lo pra perto do meu. Quero sentir sua respiração no ritmo
dos ponteiros que não mais se desencontrarão. Não é exagero! O fato é que do
resto do mundo a memória se encarrega de trazer vultos densos, e eles nunca são
seus. Quero ter saudade "feita de pele pra usar por debaixo da roupa"
(Do Teu Lado- Leoni). E ainda que seu sorriso interno fosse um dia digerido, eu o absorveria (por precaução) para que dele se fizesse matéria bruta. Gosto
de ouvir, às vezes sempre, o sopro da sua voz em meio a este tumulto, aqui, dentro
de mim. O desvio do seu olhar, por motivos que eu mesma criei, é a trilha que
sigo, driblando a razão, sempre contornando seus passos. E torço pra que o
destino (se é que acredita nele) traga-os à minha direção, em todas as formas,
enquanto encantarem-se e desencantarem-se por tantas outras estradas. Espero
que acredite em minha tentativa de não usar tons clichês, e que materialize,
sem a ajuda do tempo, a sensação que nem Freud soube explicar, a não ser quando
disse que "...o que não fazemos mediante loucura é resto, e o resto é silêncio".
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