Enterro nostálgico. A empatia que eu sentia tomava conta do momento e persuadia minhas roupas, meu rosto, e meu olhar. Aquelas lágrimas derramadas por hipocrisia diante de um poço de agonia no qual faltava-se amor.Chorei, chorei muito, pra não comentarem por instantes minha falsidade. Limpava o rosto o mais rápido que conseguia, pra não deixar com que as flores presas às minhas mãos se queimassem com o ódio das lágrimas. Quatro ou cinco pessoas ao meu redor comentavam com pouco entusiasmo e bastante ousadia o quanto amavam aquela mulher. O nó no meu peito embrulhou o estômago e imaginei que vomitaria, ali mesmo, bem em cima do caixão. Um aglomerado de velhos mal vividos e fétidos. Estereótipos de pessoas boas. O homem é mau. Ansiosa, olhava o relógio a cada minuto, esperando que ele se aproximasse do meu ouvido e soprasse um ar de luxúria pra dentro da minha mente. Ele não chegava. O tempo parava. Literalmente chovia. A morta analisava todos os detalhes, com uma visão polilateral, morrendo de inveja de mim, se corroendo por dentro por não ser mais de carne e sexo.Não entedia a razão pela qual ele ainda não havia chegado, por alguns segundos me arrependi de ter cometido o crime. Assassinado a própria mãe. A lógica da vida, da minha vida, é: o melhor de mim pra mim mesma, e eu sou melhor. Danem-se as pseudoexpectativas quanto ao amor. Sou autossuficiente. Mas, ele havia me dominado, de uma maneira ou de outra,e eu estava aflita, o esperando.Já que o encontro seria, mais uma vez, nos enterros nostálgicos de família.
Escrito em 03.09.2009
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