Eu tinha um laço pendurado no pescoço. Esse laço era a minha maior preciosidade. Meu objeto de valor, meu companheiro. Era uma parte de mim em mim mesma. Eu e meu laço. Uns dias atrás saí. Fui procurar alguma festa na noite, que por sinal estava linda. Segurei com muita força aquele pedaço de pano. Fazendo de tudo pra que ele não se soltasse de mim. Encontrei um bar aconchegante e resolvi me acomodar ali mesmo. Sentei. Deixei a bolsa e o celular na cadeira ao lado. Estávamos sozinhos. Eu e meu laço. O garçom passou por nós e ignorou a presença do laço. Se referiu a mim como senhora e me perguntou se eu desejava alguma coisa. Com um tom sarcástico disse que exigia respeito e o perguntei se ele era pago para ignorar alguns convidados. Ele me olhou perplexo como se eu fosse uma louca. Eu apontei para o laço e ele sorriu como se houvesse percebido alguma coisa. Em algumas simples e calmas palavras ele me disse que se eu estava acreditando que um velho pedaço de pano deveria ser tratado como um cliente convidado era por que eu estava realmente me sentindo sozinha. Ele então se aproximou de mim com cautela. Sentou na cadeira ao lado da bolsa e do celular. Segurou a minha mão e me pediu em casamento. Eu , assustada, continuei em silêncio sem saber se ria ou se chorava da situação. Para me acalmar ele sussurrou no meu ouvido: ' Eu também tenho um laço que me completa. Mas acredito que uma pessoa valha mais que um objeto. Estou a procura de companhia e pelo que vejo você também está' . Eu fiquei admirada com aquilo que ouvi. O laço era um presente da minha avó, que já havia falecido. Ao entregá-lo ela me deixou claro que caso encontrasse alguém com as mesmas manias e as mesmas crenças, eu poderia ter certeza que esse alguém seria a pessoa certa. Nos casamos. Antes, eu tão sozinha. Hoje somos nós quatro. Eu, meu laço, meu marido e o laço dele. Laços nunca se rompem!
Escrito em 30.07.2008
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